Irã considera bases dos EUA legítimos alvos se Trump interferir nos protestos
Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe do parlamento iraniano, declarou nesta sexta-feira (2) que as bases e tropas dos Estados Unidos no Oriente Médio seriam “alvos legítimos” de ataques do Irã caso Donald Trump realmente interviesse na repressão aos manifestantes no país.
O presidente americano afirmou que os EUA podem agir caso o governo iraniano utilize violência letal contra os manifestantes, que protestam desde o início da semana.
Em mensagem nas redes sociais, Ghalibaf escreveu que o “desrespeitoso presidente americano deve saber que, com essa admissão oficial, todos os centros e forças americanas em toda a região serão nossos alvos legítimos em resposta a qualquer possível aventura”. Ele ressaltou que os iranianos permanecem unidos e determinados a agir contra o que chamou de “inimigo agressor”.
Além disso, Ghalibaf acusou serviços de inteligência estrangeiros de transformarem manifestações legítimas em conflitos urbanos violentos visando desestabilizar o regime iraniano.
Trump publicou na rede social Truth Social que os EUA estão “prontos para agir” caso pessoas que protestam pacificamente venham a ser mortas.
Essa declaração ocorre após a morte de sete pessoas durante a maior onda de protestos no Irã em três anos. As manifestações começaram devido à crise econômica e se tornaram violentas em várias regiões.
O ministro de Relações Exteriores do Irã já afirmou que o país “não aceitará nenhuma interferência externa”.
Os protestos começaram no domingo (28), quando comerciantes reclamaram da política econômica, especialmente da grande desvalorização da moeda local e do aumento dos preços.
Na segunda-feira (29), centenas de pessoas saíram às ruas para reivindicar melhorias contra a crise econômica e o alto custo de vida.
Em Teerã, comerciantes fecharam lojas em apoio às manifestações, que se espalharam com o respaldo de estudantes para outras regiões do país.
Em resposta, o governo de Masoud Pezeshkian abriu um canal de diálogo com representantes da sociedade para ouvir as demandas da população.
A economia iraniana enfrenta dificuldades há anos, agravadas pelo retorno das sanções americanas em 2018, após a decisão de Trump, no primeiro mandato, de retirar o Irã do acordo nuclear internacional.
Créditos: g1