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18:06

Associação relaciona incêndio na Suíça à tragédia da Boate Kiss

Um incêndio ocorrido durante a festa de Ano-Novo em uma estação de esqui na Suíça causou a morte de mais de 40 pessoas e voltou a trazer atenção para o uso de artefatos pirotécnicos em ambientes fechados. A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) destacou que o caso europeu guarda semelhanças com a tragédia da Boate Kiss, em 2013, na região Central do Brasil.

De acordo com Paulo Carvalho, diretor jurídico da AVTSM, a causa do incêndio foi muito parecida: o uso de artefatos luminosos, velas e materiais inflamáveis que funcionam como estopins, cenário presente em outras tragédias similares.

O fogo teve início por volta das 1h30min da quinta-feira (1º), durante uma festa de Ano-Novo no bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, no Cantão de Valais. Testemunhas e autoridades suíças relataram que velas sinalizadoras posicionadas em garrafas de champanhe teriam tocado o teto, iniciando o incêndio que se espalhou rapidamente devido à espuma do forro, fenômeno conhecido como flashover.

Além do uso de artefatos proibidos, Carvalho apontou que falhas estruturais, como a ausência de saída de emergência, teriam contribuído para o número elevado de vítimas, uma vez que o tumulto gerado dificultou a evacuação e causou sufocamento.

Até o momento, a única vítima identificada oficialmente é o italiano Emanuele Galeppini, de 16 anos. O número de feridos chega a 119, com pacientes sendo atendidos em hospitais da Suíça e dos países vizinhos.

A associação ressalta que o problema fundamental não está na falta de normas, mas no seu descumprimento. Carvalho destacou que, tanto na Suíça quanto no Brasil, existem regras claras que proíbem artefatos luminosos, velas e materiais inflamáveis, assim como a superlotação e exigem saídas de emergência, mas essas medidas continuam sendo ignoradas.

Ele também destacou a ausência de punições eficazes como fator que contribui para a repetição dessas tragédias. Segundo Carvalho, houve grande demora no processo judicial da Boate Kiss, que levou nove anos para julgar quatro pessoas, o que não promoveu um exemplo mundial de responsabilização.

A AVTSM informou que prepara uma nota oficial sobre o incêndio na Suíça, a ser divulgada após o avanço das investigações e consultas a especialistas em prevenção de incêndios.

Também o Coletivo Kiss – Que Não Se Repita, composto por familiares e sobreviventes da tragédia de 2013, manifestou tristeza e choque com o ocorrido. André Polga, fundador do coletivo, afirmou que para quem viveu a Kiss, esse tipo de notícia ativa memórias e dores intensas.

Ele acrescentou que tais incêndios não são imprevisíveis e se repetem devido ao conhecimento dos riscos e à falta de prioridade dada à segurança. Polga chamou atenção para o padrão recorrente nesses desastres: espaços fechados, uso de pirotecnia, falhas na prevenção, material inflamável, superlotação e ausência de plano de emergência.

Segundo o coletivo, a continuidade dessas tragédias reflete o fato de que medidas básicas de segurança ainda são tratadas como detalhes, e não como prioridade para proteger vidas. Eles reconhecem que futuras ocorrências são inevitáveis, porém não é possível prever onde ou quando acontecerão.

Créditos: Gauchazh

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