EUA capturam Nicolás Maduro e anunciam controle interino da Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (3) que os EUA vão administrar a Venezuela de forma interina, anunciando a entrada de petroleiras norte-americanas no país e ampliando sua influência no Hemisfério Ocidental.
Após meses de especulações e operações perto da costa venezuelana, os EUA atacaram diversos locais em Caracas e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, que foram levados a Nova York em um navio de guerra norte-americano.
Trump declarou que um grupo do alto escalão do seu governo assumirá o comando da Venezuela até uma transição, sem detalhar como ou quando isso ocorrerá. Segundo ele, a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, não fará parte desse grupo, por não possuir apoio interno suficiente.
O presidente norte-americano disse que o secretário de Estado Marco Rubio está em diálogo com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, que demonstrou disposição para cooperar.
Trump evocou a Doutrina Monroe, política centenária dos EUA para ampliar influência na América Latina, afirmando que o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca será mais contestado.
Na política externa lançada em dezembro, Trump já previa o resgate dessa doutrina.
O presidente americano anunciou que as petroleiras dos EUA iniciarão operações na indústria petrolífera venezuelana, alegando que o governo venezuelano teria roubado essa infraestrutura construída com talento e empenho americanos. “Vamos fazer o petróleo fluir”, disse.
Ao ser questionado sobre comunicação prévia ao Congresso sobre a operação, Trump afirmou que membros foram informados após a ação para evitar vazamentos.
Sobre o destino de Maduro, Trump informou que ele será levado a Nova York em breve e que a Justiça decidirá a prisão enquanto aguarda julgamento nos EUA.
Trump informou que a operação de captura durou apenas 47 segundos e foi a maior ação militar dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.
O ataque ocorreu após semanas de tensões, com Trump acompanhando a captura em tempo real.
Segundo ele, a ofensiva estava prevista para quatro dias antes, mas foi adiouada por condições climáticas.
Trump afirmou que teve contato com Maduro na semana anterior, em que tentou negociar uma saída pacífica, mas sem sucesso.
O navio USS Iwo Jima, que transportou Maduro e sua esposa, é um navio anfíbio capaz de realizar operações aéreas e terrestres combinadas.
Após o ataque, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez declarou não saber o paradeiro de Maduro e exigiu uma prova de vida.
Explosões e aeronaves voando baixo foram relatadas em Caracas durante a madrugada, causando danos e quedas de energia próximas à base aérea La Carlota.
O governo venezuelano declarou estado de Comoção Exterior, convocando mobilização para combater o que chamou de “agressão imperialista”.
Caracas acusa os EUA de tentar tomar recursos estratégicos do país e convocou governos da América Latina e Caribe à solidariedade.
Desde agosto, os EUA aumentaram recompensas por informações para capturar Maduro, reforçando presença militar na região e classificando o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando Maduro de liderar o grupo.
O interesse americano é assumir o controle das reservas petrolíferas venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.
Nos últimos meses, militares dos EUA apreenderam navios petroleiros venezuelanos, e Trump determinou bloqueios contra embarcações sancionadas, acusando Maduro de roubo.
Esse desenvolvimento marca uma escalada significativa na tensão entre os dois países, com os EUA assumindo controle direto e envolvendo-se fortemente no setor energético da Venezuela.
Créditos: g1