Migrantes venezuelanos em Roraima reagem à captura de Maduro pelos EUA
Migrantes venezuelanos que vivem em Pacaraima, na fronteira entre Brasil e Venezuela, expressam sentimentos mistos de incerteza e esperança após a ofensiva dos Estados Unidos que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro na madrugada de 3 de janeiro de 2026.
Roraima é a principal porta de entrada para venezuelanos que migram ao Brasil desde 2015, em busca de fugir da grave crise política, econômica e social que afeta seu país.
A ação militar dos Estados Unidos envolveu explosões em Caracas e em estados vizinhos, incluindo Miranda, Aragua e La Guaira. Além de Maduro, a esposa dele, Cilia Flores, também foi capturada.
José Gregório Rodríguez, venezuelano de 39 anos que chegou ao Brasil há cinco dias, relata que deixou a Venezuela após mais de dez anos trabalhando no setor público sem conseguir sustentar a família. Ele permaneceu em contato com seus familiares, mas ressalta a ansiedade causada pela falta de informações confiáveis.
O enfermeiro Fred José, de 30 anos, que vive na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén, próxima à fronteira, comenta o impacto das notícias nos migrantes, principalmente pela preocupação com parentes em Caracas, área afetada pelos ataques. Ele expressa esperança por mudanças positivas no país.
Elisaúl Quinan, de 30 anos, natural de Maturín, também acompanha os acontecimentos com cautela. Migrante há cerca de duas semanas, ele decidiu deixar a Venezuela motivado pela difícil situação política e econômica, mantendo a esperança de melhorias.
Wilmer Gallardo, trabalhador industrial de 30 anos que reside no Rio Grande do Sul, relata ter sido surpreendido pelas notícias enquanto estava retido na fronteira tentando retornar ao Brasil. Para ele e outros migrantes, predomina o sentimento de cansaço diante dos anos de crise vivida na Venezuela.
Na madrugada do dia 3, Caracas foi atingida por uma série de explosões, registradas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores ouviram tremores e vozes de aviões voando em baixa altitude, além de relatos de correria nas ruas e cortes de energia elétrica, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram colunas de fumaça saindo das instalações militares e aeronaves sobrevoando a capital venezuelana.
O governo da Venezuela respondeu afirmando que o país sofre uma “agressão militar” e decretou estado de emergência, convocando forças sociais e políticas a se mobilizarem.
A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou desconhecer o paradeiro de Maduro e exigiu do governo americano uma prova de vida. A situação segue acompanhada com apreensão tanto na fronteira quanto internacionalmente.
Créditos: g1 Roraima