Trump alerta que presidente interina da Venezuela pagará alto preço se não cooperar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, enfrentará um “preço muito alto” caso não coopere com os EUA. A declaração foi dada em entrevista por telefone à revista The Atlantic, um dia após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos, ocorrida no último sábado, quando ele foi levado a um centro de detenção americano.
Trump indicou que as possíveis medidas contra Rodríguez podem ser ainda mais severas do que as tomadas contra Maduro.
Mais cedo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que o país está preparado para trabalhar com os líderes restantes na Venezuela, caso optem pela “decisão correta”. Rubio afirmou à emissora CBS News que “vamos avaliar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que farão”.
Ele também ressaltou que é prematuro falar sobre eleições na Venezuela neste momento, reconhecendo que ainda há “muito trabalho pela frente”.
Na sequência da prisão de Maduro, aliados da Venezuela reagiram. A Coreia do Norte qualificou os ataques dos EUA à Venezuela como “a forma mais grave de violação de soberania”. O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano declarou estar atento à gravidade da situação causada pelo que classificou como “ato de arbitragem dos EUA”. Eles afirmaram que o incidente é mais um exemplo da natureza “desonesta e brutal” dos Estados Unidos, destacando que o atual quadro na Venezuela trouxe uma “consequência catastrófica”.
Também no domingo, o Ministério das Relações Exteriores da China pediu que os Estados Unidos libertem imediatamente Nicolás Maduro e sua esposa, além de resolverem a situação na Venezuela por meio de diálogo e negociação. A China, uma das principais parceiras políticas e econômicas da Venezuela, defende que questões internas do país devem ser resolvidas “pelo povo venezuelano, sem interferência externa”.
Nicolás Maduro foi levado ao centro de detenção de Nova York no fim da noite de sábado (3), após ser capturado em Caracas durante a madrugada, segundo o governo americano. Posteriormente, foi fichado sob custódia na Agência Antidrogas dos EUA (DEA), com imagens divulgadas pela Casa Branca mostrando o líder venezuelano escoltado por agentes.
Em entrevista coletiva, Trump afirmou que está avaliando os próximos passos para a Venezuela e pretende conduzir o país por meio de um “grupo” que está sendo formado a fim de promover uma transição de poder, sem detalhar prazos ou explicar como esse arranjo funcionará.
Também no sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado em tribunal americano, em Nova York. Segundo Bondi, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que também foi detida, foram formalmente acusados de crimes.
Créditos: g1