Internacional
18:09

Fronteira Brasil-Venezuela reabre após ataques dos EUA, com êxodo e tensão

Após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, a fronteira com o Brasil foi reaberta, provocando um movimento intenso em Pacaraima, Roraima. Venezualanos como Antonio Cardenas, técnico de comércio exterior de Santa Elena de Uiarén, expressam desilusão, dizendo que a ação norte-americana não trouxe liberdade, mas foi apenas um “show” para remover Nicolás Maduro do poder, enquanto os mesmos apoiadores do governo permanecem ativos.

A segunda-feira despertou com a fronteira aberta, e um fluxo intenso de veículos e pedestres cruzando para o lado brasileiro. Muitos venezuelanos relatam tensão devido aos bombardeios que ocorreram na madrugada do sábado, mantendo a incerteza sobre o futuro do país.

O engenheiro mecânico Maikeel Contrera, que deixou a família no estado de Mérida para buscar uma vida melhor no Brasil, descreve a situação na Venezuela como um “vazio de poder”, onde a ausência de governo resulta em insegurança. Ele alerta que grupos armados controlam diversas regiões, gerando risco para cidadãos inocentes.

A fronteira foi fechada temporariamente no sábado pelo lado venezuelano, mas reabriu no fim do dia, segundo relatos do governo brasileiro. A maior parte do fluxo é de venezuelanos deixando a Venezuela.

No lado brasileiro, as forças militares realizam uma revista rigorosa nos veículos e identificam os ocupantes.

O ambulante David Andrés, 56 anos, e o operário Robert Rodrigues, 25 anos, também cruzaram para o Brasil em busca de novas oportunidades, mas demonstram preocupação com quem ficou para trás, especialmente as famílias que permanecem na Venezuela.

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), manifestou preocupação com uma possível nova leva de refugiados, sugerindo ao governo federal o fechamento temporário da fronteira. O pedido foi encaminhado aos ministros da Defesa, Casa Civil e Relações Institucionais.

Em entrevista após reunião no Itamaraty, o ministro da Defesa afirmou que a situação na fronteira está “tranquila”, mas alertou que haverá monitoramento constante para possíveis eventos futuros.

O governo brasileiro avalia com apreensão a instabilidade na extensa fronteira terrestre que ultrapassa dois mil quilômetros, pois isso pode impactar diretamente a região norte do país.

A preocupação não se limita ao aumento do fluxo migratório, que já ocorre devido à crise econômica e social na Venezuela, mas também engloba o risco de entrada, pelo território fronteiriço, de indivíduos ligados a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.

Desde o início da crise migratória em 2013, ano da primeira eleição de Maduro com acusações de fraude, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas já deixaram o país.

Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a Venezuela concentra hoje o maior número de refugiados no mundo, com 6,3 milhões, ultrapassando nações como a Síria.

Créditos: O Globo

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