Brasília recebe protestos pró-liberdade e contra ofensiva dos EUA na Venezuela
Integrantes do Movimento Venezuela Livre realizaram um ato neste domingo (4) na Torre de TV, em Brasília, para celebrar a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Durante o evento, que reuniu venezuelanos, foram entoados gritos como “O que queremos? Liberdade, Liberdade, Liberdade” e o hino nacional venezuelano. Os participantes usaram bandeiras e adereços que faziam referência à Venezuela.
A educadora social Cléia Pedreira, venezuelana radicada no Brasil há oito anos devido à crise em seu país, declarou à CNN Brasil que o grupo tem esperança de que a Venezuela se torne um país livre e com democracia real. Cléia contou que tem mãe brasileira e pai venezuelano e que precisou deixar sua terra natal por conta da situação vivida ali.
A estudante Daniela Martinez, que mora em Brasília, também comentou que mais de 8 milhões de venezuelanos estão no exílio, mas têm expectativa de retornar à Venezuela no futuro. Ela ressaltou que a captura de Maduro pelos EUA renovou a esperança de um futuro melhor no país, que deixaram devido à falta de oportunidades.
Por outro lado, no sábado (3), movimentos contrários aos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram em frente à embaixada venezuelana na capital federal.
O embaixador da Venezuela no Brasil, Manuel Vadell, participou do protesto e afirmou que a captura de Maduro por militares dos EUA representa um precedente grave para a região, alertando todos os movimentos continentais.
O ato foi organizado por grupos de esquerda e contou com a presença de bandeiras da Venezuela, Palestina e Brasil, entre outras.
No mesmo dia dos ataques em solo venezuelano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou nas redes sociais, classificando a ação dos EUA como uma “afronta gravíssima” e uma ultrapassagem de uma “linha inaceitável”.
No domingo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta defendendo uma solução para a Venezuela sem interferência externa, expressando preocupação sobre tentativas de controle do governo venezuelano.
Essa posição foi divulgada horas antes de uma reunião virtual da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) para discutir a situação da Venezuela após os ataques dos EUA.
O encontro ocorreu a portas fechadas e terminou sem declaração pública do bloco, revelando divergências políticas entre os países membros, segundo fontes do governo brasileiro consultadas pela CNN.
Criada no México em 2010, a Celac reúne 33 países da América Latina e Caribe, buscando promover integração regional e cooperação política, econômica e social.
Durante a reunião, o Itamaraty, representado pelo chanceler Mauro Vieira, reafirmou a posição contrária à captura de Maduro e à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.
Créditos: CNN Brasil