Trump pretende usar petróleo venezuelano para controlar preços internacionais
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as grandes petrolíferas americanas planejam investir bilhões de dólares para reparar a infraestrutura petrolífera da Venezuela e começar a gerar lucro para o país. A declaração foi feita no contexto da recente captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Os Estados Unidos, atualmente os maiores produtores mundiais de petróleo, extraem cerca de 13 milhões de barris por dia, mas ocupam apenas a 10ª posição em reservas provadas, com 48 bilhões de barris. A Venezuela, por sua vez, detém a maior reserva global, com aproximadamente 303 bilhões de barris, porém é o 20º maior produtor, com uma produção diária inferior a 1 milhão de barris.
Nos anos 1990, a produção venezuelana chegou a ultrapassar 3 milhões de barris por dia. Caso a indústria da Venezuela receba investimentos americanos e retome a produção conforme os interesses dos EUA, estes teriam um controle significativo sobre a oferta mundial e, consequentemente, sobre os preços internacionais do petróleo.
Segundo Vitor Sousa, analista de petróleo da Genial Investimentos, se a indústria petrolífera venezuelana se recuperar e os americanos considerarem os preços elevados, poderão aumentar rapidamente a produção com o apoio da Venezuela, ampliando a oferta e reduzindo os preços. Em contrapartida, se os preços estiverem baixos demais, ambos poderiam reduzir a produção para preservar a rentabilidade, sempre guiados pelos interesses americanos.
Com os campos de petróleo de ambos os países sob controle, o poder dos EUA para influenciar os preços globais aumenta expressivamente, diminuindo o peso da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Contudo, esta possibilidade ainda é incerta. A retirada de Maduro do poder e ações agressivas inéditas na América do Sul não garantem controle direto sobre a Venezuela. Não está definido se a presidente interina Delcy Rodríguez cooperará com os EUA, se poderão ocorrer novas operações militares ou se haverá um conflito civil na tentativa da oposição de retomar o poder.
Independentemente do resultado, o interesse principal de Trump é o controle do petróleo venezuelano, e não o combate ao narcotráfico ou a defesa da democracia, temas aos quais ele demonstra pouco apreço.
Créditos: Estadão