Internacional
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Delcy Rodríguez é figura-chave na transição política e petrolífera da Venezuela

Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente da Venezuela, tornou-se figura central na política do país, especialmente nas negociações relacionadas ao setor petroleiro. Isso ocorre após emissários do ex-presidente Donald Trump sondarem sua liderança para um possível governo de transição. Com vínculos significativos no setor de petróleo, Delcy é vista pelos Estados Unidos como uma alternativa viável para equilibrar interesses internos e externos.

No final de outubro, quando ainda ocupava o cargo de vice-presidente, Delcy viajou ao Catar para reuniões com representantes da Casa Branca. Fontes próximas à política venezuelana revelaram que, naquela ocasião, foi sondada por emissários de Trump sobre a possibilidade de assumir temporariamente o comando do governo após a saída de Nicolás Maduro. Embora a resposta a essa sondagem não tenha sido divulgada, os eventos recentes indicam alinhamento com os desejos de Trump.

No sábado à noite, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela declarou que, na ausência temporária de Maduro, Delcy assumiria todas as atribuições do cargo de presidente, decisão que atende aos anseios do presidente americano. Apesar da surpresa de muitos com a exclusão da líder opositora María Corina Machado da sucessão imediata, a continuidade dentro do chavismo é compreensível ao se analisar as características e conexões de Delcy.

Com 57 anos, Delcy é uma das figuras femininas mais influentes do chavismo, encarregada por Maduro para cuidar de assuntos sensíveis, como a gestão da pandemia de Covid-19 e a abertura do setor petrolífero a empresas estrangeiras. A partir de 2024, acumulou as funções de vice-presidente e ministra dos Hidrocarbonetos. Em 2025, conduziu a negociação do último contrato entre a Venezuela e a Chevron.

Os termos deste acordo refletem a habilidade de negociação da presidente interina: diferente de contratos anteriores, a Chevron pagará ao governo venezuelano em barris de petróleo, não em dinheiro, o que representa uma concessão feita para manter boas relações com a empresa americana, apesar das dificuldades econômicas do país.

Independentemente da sondagem prévia, Delcy configura uma alternativa que interessa especialmente a Trump, especialmente no que tange ao acesso ao petróleo venezuelano. Fontes em Caracas mencionam um “acordo circunstancial para a estabilidade do país” ou uma “aliança temporária utilitária” entre Trump e Delcy. Sua aceitação na Casa Branca se deve a suas conexões no setor petrolífero nacional e internacional. A duração deste entendimento dependerá do equilíbrio entre os interesses de Trump, pressões internas e a dinâmica do chavismo.

No âmbito interno, Delcy dividirá o poder com o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e com o ministro do Interior e Justiça, ex-militar Diosdado Cabello. Enquanto Delcy lidará com as relações externas e internas, Padrino López manterá o comando das Forças Armadas e Cabello supervisionará as principais forças de segurança. Esse trio deverá preservar a unidade do chavismo para garantir sua sobrevivência.

Recentemente, o ministro da Defesa reafirmou seu apoio a Delcy e denunciou o ataque dos EUA contra a Venezuela, mas demonstrou prudência, evitando incitar uma resposta armada e buscando manter a estabilidade.

Contrariando a imagem de chavista moderada atribuída a ela por alguns meios americanos, Delcy é considerada firme e determinada em sua atuação. Diplomatas brasileiros que negociaram com ela confirmam que ‘‘Delcy é dura e luta pelo que quer’’. Em ocasiões anteriores, ela foi responsável por aprovar encontros diplomáticos importantes, mostrando sua influência no governo.

Atualmente, Delcy assumirá a nova Assembleia Nacional, que terá 30 deputados de oposição convivendo com o regime. Paralelamente, o Conselho de Segurança da ONU discutirá, a pedido da Colômbia, o ataque dos EUA à Venezuela. A partir de agora, torna-se fundamental acompanhar como o governo venezuelano administrará diversas demandas internas e externas, algumas conflitantes entre si.

Créditos: O Globo

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