Economia
12:11

Ex-executivo da Chevron busca US$ 2 bilhões para projetos petrolíferos na Venezuela

Um ex-alto executivo da Chevron está captando US$ 2 bilhões para investir em projetos petrolíferos na Venezuela, enquanto investidores atendem ao chamado do presidente Donald Trump para injetar recursos no país após os EUA terem derrubado o presidente Nicolás Maduro.

Ali Moshiri, ex-chefe de operações da Chevron na América Latina, informou ao Financial Times que seu fundo, Amos Global Energy Management, identificou múltiplos ativos no país e conversa com investidores institucionais sobre uma colocação privada para o início dos investimentos.

A captura de Maduro por forças especiais americanas no último sábado (3) e o apelo de Trump para que empresas dos EUA revitalizem a indústria petrolífera venezuelana criaram uma oportunidade repentina, segundo Moshiri.

“Estávamos aguardando esse avanço há algum tempo e nosso memorando privado de US$ 2 bilhões está pronto para avançar com vários alvos de investimento identificados”, declarou ele em entrevista.

“Recebi diversas ligações nas últimas 24 horas de potenciais investidores. O interesse pela Venezuela saltou de zero para 99%.”

O ataque dos EUA em Caracas e o aviso de Trump de que Washington definirá os termos para os novos líderes venezuelanos abriram a possibilidade de uma corrida empresarial em um país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.

Essa situação pode marcar uma nova fase para as empresas petrolíferas. A última grande abertura de reservas de um país ocorreu em 2009, no Iraque, onde leilões de campos atraíram bilhões em investimentos seis anos após a invasão americana.

Entretanto, as três principais petrolíferas americanas receberam o chamado de Trump com cautela, devido a preocupações com a instabilidade política, o histórico de expropriações na Venezuela e o elevado custo para ampliar a produção.

Um insider da indústria revelou que os CEOs da ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips foram surpreendidos pela ação militar dos EUA.

“Nenhuma das grandes empresas com capital e expertise para investir na Venezuela foi avisada ou consultada antes da remoção de Maduro ou das declarações do presidente”, afirmou este insider.

A captação pela Amos será um teste inicial da disposição de Wall Street para financiar a reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana, que sofreu deterioração após anos de má gestão e sanções.

O memorando para investidores, datado de dezembro de 2025 e visto pelo FT, indica que o fundo pretende adquirir uma produção diária entre 20 mil e 50 mil barris, bem como 500 mil barris em reservas da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). O retorno esperado é de duas vezes e meia o investimento dentro de cinco a sete anos.

Outros investidores privados também demonstraram interesse potencial na Venezuela após a intervenção dos EUA.

Harold Hamm, magnata do xisto americano e doador de Trump, disse que sua empresa Continental Resources consideraria investir na Venezuela sob condições favoráveis.

“Embora não tenhamos planos imediatos para a Venezuela, reconhecemos o potencial significativo do país e, com estabilidade regulatória e governamental, certamente consideraríamos investimentos futuros”, afirmou.

Analistas destacam que, apesar do rápido interesse em atender ao chamado de Trump, apenas as grandes empresas americanas têm o peso e a expertise necessários para reconstruir o setor complexo do petróleo pesado venezuelano.

A Chevron, que opera atualmente no país sob licença especial do governo Trump, é vista como a empresa mais preparada para ampliar investimentos, embora afirme priorizar a segurança dos funcionários e a integridade dos ativos.

A ExxonMobil não comentou suas intenções na Venezuela e ainda busca pagamento de uma sentença arbitral de US$ 1,6 bilhão referente à expropriação de ativos sob Hugo Chávez.

A ConocoPhillips, que venceu uma sentença arbitral de US$ 8,4 bilhões pela expropriação, disse que seguirá tentando receber o valor e que é “prematuro” especular sobre futuros investimentos.

Após o chamado de Trump, o secretário de Estado Marco Rubio indicou que há abertura para investidores de países aliados, mas não para adversários dos EUA como China, Rússia ou Irã, que atualmente têm forte presença no setor petrolífero venezuelano.

Empresas europeias como Repsol e Eni poderiam investir se as sanções americanas forem suspensas, mas aguardam definições sobre condições fiscais.

Moshiri já tentou comprar ativos venezuelanos no passado, tendo fechado uma joint venture com a Gramercy Funds Management em 2022 e concordado em adquirir ativos da Sinopec. Os negócios falharam por falta de licença do governo Biden.

Ele afirma estar confiante na nova oportunidade com o governo Trump, que considera “mais amigável e orientado economicamente”.

Créditos: Folha de S.Paulo

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