Nicolás Maduro presidiário nos EUA, mas chavismo mantém poder na Venezuela
Nicolás Maduro, ex-ditador da Venezuela, foi capturado por forças norte-americanas na madrugada de sábado e encontra-se preso nos Estados Unidos. Ele e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados por narcotráfico internacional, com a primeira audiência ocorrendo em Nova York na manhã desta segunda-feira. Apesar disso, os EUA permitiram que uma vice-presidente ilegítima tome o lugar de Maduro, e as principais lideranças do projeto chavista permanecem em seus cargos.
Delcy Rodríguez, considerada tão ilegítima quanto Maduro por ter sido da chapa derrotada em 2024, assumiu nominalmente o comando da Venezuela. Ela é irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional, órgão controlado pelo chavismo. Além deles, ministros chave como Diosdado Cabello (Interior) e Vladimir Padrino López (Defesa) continuam em suas funções. Cabello é acusado de integrar o Cartel de los Soles, envolvido no tráfico internacional de drogas.
O cenário político mostra que o poder deveria pertencer à oposição liderada por María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, eleito em 2024 numa eleição que Maduro fraudou. Contudo, essa transição imediata é inviável: as forças armadas, o Judiciário e o Legislativo seguem alinhados ao bolivarianismo, e grupos paramilitares armados continuam ativos, com apoio de países como Cuba e Irã.
Os chavistas remanescentes sabem que estão limitados, diante da promessa de Donald Trump de ações mais severas caso Delcy Rodríguez não coopere. Porém, o significado exato dessa cooperação é incerto: pode se referir à facilitação da exploração petrolífera por empresas americanas ou ao preparo para o fim da ditadura e a realização de eleições livres e transparentes.
O secretário de Estado Marco Rubio declarou desejar uma transição completa para a democracia, mas o plano para isso ainda não está claro.
A Venezuela só alcançará democracia plena sob duas condições: a exclusão definitiva do chavismo e seus cúmplices da vida pública, idealmente punidos pelos crimes cometidos, e a assunção do poder de González ou, no mínimo, sua posse interina com o objetivo de convocar eleições supervisionadas internacionalmente. Se os EUA de fato pretendem isso, uma colaboração temporária com o chavismo poderia ser tolerada; caso contrário, o sofrimento da população continuará.
Os EUA têm precedentes negativos de intervenções desfeitas que deixaram vácuos de poder, como no Iraque e no Afeganistão, que resultaram no fortalecimento de grupos autoritários e terroristas. A situação da Venezuela exige cuidado para evitar repetição desses erros.
Créditos: Gazeta do Povo