Petro ameaça recorrer às armas para defender Colômbia de ataques dos EUA
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ex-guerrilheiro, declarou que poderá “pegar de novo em armas” caso seja necessário para proteger seu país contra uma possível agressão norte-americana.
A tensão entre Petro e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, cresceu desde a invasão americana à Venezuela. Ambos já trocavam críticas políticas antes do avanço militar dos Estados Unidos na região, mas recentemente os ataques entre eles intensificaram.
Trump sugeriu ontem que uma operação militar na Colômbia, semelhante à realizada na Venezuela, seria “uma boa ideia”. Ele acusou Petro de traficar drogas para os EUA, sem apresentar provas, e o classificou como “um homem doente que fabrica cocaína e a vende aos EUA”, alertando que isso não continuaria por muito tempo.
Petro rejeitou as acusações e respondeu às ameaças. O líder colombiano, que foi membro do grupo armado M-19, deputado e prefeito de Bogotá, afirmou via X que qualquer comandante das forças públicas que preferir a bandeira dos Estados Unidos à da Colômbia será imediatamente demitido. O presidente ainda declarou estar disposto a voltar a empunhar armas para defender o país, algo que não fazia desde o acordo de paz de 1989.
A Colômbia possui uma das forças armadas mais profissionalizadas da América Latina, com vasta experiência em combate interno, inteligência, operações em áreas de selva e cooperação internacional, segundo Karina Stange, professora de relações internacionais do Ibmec.
O aparato militar colombiano foi desenvolvido durante décadas de conflito interno, contando com forte parceria dos Estados Unidos, especialmente por meio do Plano Colômbia, inaugurado no final dos anos 1990. Essa cooperação é apontada como uma das causas do sucesso no combate aos cartéis.
Gunther Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM, observa que as forças armadas colombianas são bem preparadas, sobretudo para confrontos contra guerrilhas e o narcotráfico, graças à ajuda americana.
Quanto ao poderio militar, a Colômbia ocupa a 46ª posição mundial segundo o ranking de 2025 do portal Global Firepower (GFP), com um índice que mede a força militar relativo de 0,8353 – quanto mais próximo de zero, maior o poder. Já os Estados Unidos lideram com índice 0,0712.
O GFP considera mais de 60 fatores para sua avaliação, incluindo efetivo militar, poder aéreo, terrestre e marítimo, além do orçamento militar.
Especialistas afirmam que as forças colombianas, embora relevantes regionalmente, não têm capacidade de defender o país contra uma potência militar global como os EUA devido à disparidade tecnológica, aérea, naval e logística.
“Qualquer confronto direto seria assimétrico desde o início”, ressalta Karina Stange.
Segundo Gunther Rudzit, hoje apenas Rússia e China poderiam algum dia resistir a um ataque aéreo norte-americano, enfatizando que a Colômbia não possui capacidade para uma guerra convencional contra os EUA.
Os gastos militares refletem essa disparidade: os EUA investiram cerca de US$ 895 bilhões no ano passado, enquanto o orçamento colombiano foi de aproximadamente US$ 10,5 bilhões.
Além disso, a Colômbia tem cerca de 293 mil soldados ativos, contra mais de 1,3 milhão dos EUA, e conta com um número menor de aeronaves, navios, tanques e outros equipamentos militares.
Assim, mesmo com a firmeza de seu presidente, a Colômbia enfrenta uma grande desvantagem em termos de poderio militar comparada aos Estados Unidos.
Créditos: UOL