Internacional
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Delcy Rodríguez depende de aliados chavistas para se manter no poder na Venezuela

Sem o apoio explícito das Forças Armadas e sem respaldo popular, a presidente interina Delcy Rodríguez tem buscado alianças internas do chavismo para continuar no comando da Venezuela.

Os mais de 109 mil militares venezuelanos não impediram que Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, fossem capturados e retirados do país por forças dos Estados Unidos em pouco mais de duas horas.

A rapidez da ação surpreendeu a população, que sempre considerou o apoio militar como pilar do chavismo. Pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez, surgem dúvidas sobre a fidelidade das Forças Armadas ao regime.

Um advogado venezuelano, que preferiu manter anonimato, disse que a falta de resistência perto da base aérea de La Carlota indica uma possível rendição militar antes do ataque. Um militar da reserva também acredita que o entorno político teria denunciado Maduro para viabilizar a operação.

O consultor político Luis Peche Arteaga destaca a provável colaboração interna, pois seria difícil realizar tal ação sem informações sobre a rotina e localização de Maduro, sugerindo envolvimento de civis e militares venezuelanos.

Donald Trump afirmou que Marco Rubio conversou com Delcy Rodríguez, que estaria disposta a ajudar para “tornar a Venezuela grande novamente”. A presidente interina negou vínculo com o governo Trump, mas declarou prioritário buscar uma relação internacional equilibrada com os EUA.

No alto escalão do governo, há presença de militares com aparência distinta, mantendo silêncio para ocultar suas origens, e relatos indicam que líderes chavistas recebem proteção de militares cubanos.

O advogado ressaltou que Cuba confirmou a morte de 32 militares cubanos durante a ação dos EUA, o que pode explicar a demora do regime em divulgar o número de mortos. O militar da reserva afirmou que o silêncio visa ocultar fraquezas do governo.

Durante os 12 anos de Maduro na presidência, ele nunca alcançou a popularidade de Chávez. A eleição de julho de 2024, marcada pela ausência de atas oficiais, evidenciou a perda de apoio militar e popular. A oposição reportou vitória de Edmundo González em áreas militares.

Após julho de 2024, o governo intensificou a repressão contra opositores. ONGs reportam mais de mil presos políticos, incluindo 176 militares. O regime trata os militares dissidentes como traidores, negando-lhes direitos e subjulgando-os a prisões e torturas.

Além do medo, os baixos salários minam a motivação dos militares: um soldado médio recebe cerca de 60 dólares por mês e um general, no máximo 400 dólares. A cesta básica custa cerca de 550 dólares, e a alimentação nas casernas depende muitas vezes do próprio militar.

Antes vistos como elite, os militares de hoje contam com formação precária e jovens de baixa renda ingressando, o que tem levado à proposta de serviço militar obrigatório para suprir vagas.

Delcy Rodríguez, filha de um guerrilheiro torturado e morto por militares, tem pouca proximidade com as Forças Armadas. Seu apoio político vem do irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e principalmente dos ministros Diosdado Cabello e Vladimir Padrino López.

Diosdado Cabello controla a Guarda Nacional, polícia e a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), esta última acusada de abusos por organizações internacionais.

A Constituição venezuelana determina eleições em até 30 dias na ausência total do presidente, mas a vice-presidente pode governar provisoriamente até 180 dias com aval da Assembleia Nacional, onde o irmão de Delcy exerce presidência.

Sem popularidade, Delcy depende do irmão e dos ministros para manter-se no poder, e não há sinais claros de mudança na gestão. O especialista afirma que uma possível liberação de presos políticos poderia indicar mudanças futuras.

Este cenário reforça que o chavismo permanece forte, mesmo diante da captura de Maduro, e que a dinâmica política venezuelana segue complexa e tensa.

Créditos: UOL notícias

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