EUA suavizam acusações contra Maduro sobre cartel de drogas
O governo dos Estados Unidos retirou a acusação de que Nicolás Maduro seria líder do chamado Cartel de Los Soles, uma suposta organização de narcotráfico venezuelana. O Departamento de Justiça dos EUA alterou a denúncia contra o ex-presidente da Venezuela, utilizando uma linguagem mais moderada e afastando-se da tese que o identificava como chefe direto do grupo.
Essa mudança marca um distanciamento da acusação formal de 2020, conforme reportagem de Charlie Savage, do The New York Times. Na época, as autoridades americanas alegavam que Maduro comandava uma organização classificada como terrorista e envolvida no tráfico internacional de drogas.
Em 2025, durante um aumento das tensões entre Washington e Caracas, os EUA reafirmaram que Maduro liderava o Cartel de Los Soles. Essa declaração antecedeu a operação militar que culminou na prisão do ex-presidente e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado, 3, em Caracas.
Na nova denúncia, divulgada no mesmo dia da operação pelo Departamento de Justiça, Maduro não é mais descrito como “chefe de uma organização terrorista narcotraficante”. O documento afirma que ele “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção para enriquecimento derivado do tráfico de drogas”, da qual teria se beneficiado financeiramente. Mesmo assim, ele responderá por quatro acusações relacionadas ao narcoterrorismo.
O Cartel de Los Soles, anteriormente designado como organização terrorista pelo governo dos EUA em 2025, aparece reduzido a duas menções na nova denúncia. O termo é tratado como uma referência genérica a um sistema de patronagem e uma cultura de corrupção associada ao narcotráfico entre a elite venezuelana, sem uma estrutura hierárquica clara.
Segundo a acusação, Maduro e o ex-presidente Hugo Chávez teriam integrado um sistema corrupto em que elites civis, militares e de inteligência se beneficiavam do tráfico. Os lucros seriam distribuídos por meio de clientelismo vinculado ao Cartel de Los Soles, nome que alude ao símbolo presente nos uniformes de altos oficiais militares venezuelanos.
Especialistas já questionavam a existência do cartel devido à falta de uma hierarquia definida. O grupo é descrito como uma “rede de redes”, composta por membros de diferentes patentes militares e estratos políticos, que facilitaria e lucraria com o tráfico de drogas.
A prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores resultou da operação dos EUA chamada “Absolute Resolve”. O casal foi capturado no sábado, 3, removido da Venezuela e transferido para custódia federal nos EUA.
No mesmo dia, eles foram registrados no sistema prisional americano, ficando sob a jurisdição do Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York, que conduz o processo. As investigações que fundamentam as acusações tramitam há anos e envolvem conspiração para narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas.
Maduro foi formalmente acusado em audiência na segunda-feira, 5, em Nova York, onde declarou-se inocente e afirmou ser um “prisioneiro de guerra”.
De acordo com a nova denúncia, ele responderá por quatro crimes: conspiração para narcoterrorismo; conspiração para tráfico de cocaína; posse de metralhadoras e dispositivos explosivos; e conspiração para posse de metralhadoras para uso no narcotráfico.
Créditos: Migalhas