Internacional
00:08

EUA capturam Nicolás Maduro e alteram geopolítica no hemisfério ocidental

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, enquanto Caracas dormia, o cenário geopolítico do hemisfério ocidental foi transformado de forma definitiva. Em menos de 30 minutos, forças americanas capturaram Nicolás Maduro, retiraram-no de um bunker fortificado e o embarcaram em um avião para Nova York, onde enfrentará julgamento por narcoterrorismo.

As reações foram rápidas e esperadas. Parte da comunidade internacional classificou o ato como um “golpe”. Outros denunciaram “imperialismo” ou “violação da soberania”. O protesto foi intenso, porém seletivo. Para quem acompanhava os recentes movimentos políticos internacionais, o desfecho não surpreendeu.

Nos meses anteriores, diversos artigos indicavam essa possibilidade. Em “A Fortaleza Americana” foi analisada a mudança estratégica dos Estados Unidos. Em “A Grande Fratura”, investigou-se o colapso do eixo China–Rússia e suas repercussões hemisféricas. A atuação de Trump foi vista não como errática, mas como estrategista com objetivos claros, refletindo uma mudança dura na política externa americana. O que ocorreu naquela madrugada foi resultado de uma execução planejada. A questão principal é: o Brasil está consciente do ocorrido?

Para entender o episódio, é preciso separar fatos de narrativas. Hugo Chávez chegou ao poder em 1998 por vias eleitorais, mas usou a flexibilidade do sistema democrático para subvertê-lo internamente. Ele reescreveu a Constituição, dominou o Judiciário, subordinou as Forças Armadas e transformou a Venezuela num experimento de autoritarismo de esquerda. Ao falecer, em 2013, Nicolás Maduro herdou essa estrutura e a fortaleceu.

Sob Maduro, o regime ultrapassou limites definitivos. As eleições de 2024 foram fraudulentas diante do mundo. María Corina Machado, líder da oposição e laureada com o Nobel da Paz, foi impedida de participar. Diversos opositores foram presos, jornais foram fechados, juízes perseguidos e presos políticos torturados. Quase 8 milhões de venezuelanos — cerca de 30% da população — foram obrigados a deixar o país, gerando a maior crise migratória das Américas.

Simultaneamente, o Estado venezuelano foi dominado por estruturas do narcotráfico internacional. Maduro, indiciado nos EUA desde 2020 por ligação com o Cartel de los Soles, tornou inviável o caminho democrático. As instituições foram progressivamente bloqueadas. Portanto, a dúvida que permanece é: seria golpe remover alguém que deu um golpe contra sua própria democracia?

Ainda assim, focar a Venezuela apenas em Maduro é perder o essencial. O país se tornou um ponto estratégico para os principais adversários dos EUA. A Rússia fornecia armas e sistemas de defesa; o Irã, acordos tecnológicos; o Hezbollah mantinha células documentadas; Cuba oferecia inteligência e proteção pessoal ao ditador. Acima de tudo, a China integrava a Venezuela à Belt & Road Initiative, garantindo acesso a petróleo e minerais e estabelecendo uma base no hemisfério ocidental.

Nesse quadro, a Venezuela funcionava como uma peça avançada num jogo maior, permitindo expressão do poder chinês, desestabilização regional, financiamento do narcotráfico e o uso da imigração como pressão geopolítica. Isso ocorreu por anos sem grande reação internacional. A indignação só surgiu com a ação americana.

Críticos questionam a falta de espera pela ONU ou o respeito à autodeterminação. Mas que ONU poderia atuar com o Conselho de Segurança travado por vetos de China e Rússia? A mesma entidade que não impediu massacres, invasões e repressões nos últimos anos? E que autodeterminação existe quando eleições são fraudadas, opositores presos e a alternância política eliminada? Muitas vezes, a defesa de princípios é fachada para a inação.

A realidade é clara. A política internacional é movida pelo poder, não por boas intenções. A história do século XX mostrou que democracia e comércio não eliminaram conflitos. Como disse Clausewitz, a guerra é continuação da política por outros meios. Quando o diálogo falha e a desigualdade se torna insustentável, a força assume – não por ser desejada, mas porque é real.

Há diversos precedentes. Obama ordenou a morte de Osama bin Laden e foi celebrado, apesar de ter lançado dezenas de milhares de bombas no mesmo período sem autorização do Congresso. Clinton bombardeou a Sérvia e redesenhou fronteiras, sendo visto como humanista. Trump capturou um narcoditador vivo e foi retratado como bárbaro. A hipocrisia não é exceção; é método.

Militarmente, a operação enviou uma mensagem clara. Em menos de meia hora, sistemas de defesa russos Buk-M2 foram neutralizados, forças especiais americanas agiram com precisão e Maduro saiu do país sem derramamento de sangue. Os governos da Venezuela e Cuba afirmam que 32 militares cubanos morreram na ação. Do lado americano, nenhuma baixa foi registrada.

A CIA havia infiltrado agentes na Venezuela cinco meses antes. Conheciam os hábitos de Maduro, seus locais e seguranças. Quando a Delta Force invadiu seu quarto às 2 da manhã, Maduro tentou fugir para seu cofre reforçado, mas não houve tempo. Às 3h29 já estava fora da Venezuela e às 4h29 a bordo do USS Iwo Jima. À tarde, desembarcou em Nova York.

A operação assemelha-se a recentes ações israelenses contra o Hamas e bombardeios americanos no Irã, com precisão cirúrgica, superioridade tecnológica e uma mensagem clara: não há bunker seguro ou sistema de defesa infalível.

Essa demonstração não se dirigiu só à Venezuela, mas também a China, Rússia, Irã e aliados. Não existem locais invioláveis.

Alguns dizem que o motivo seria apenas o petróleo. De fato, o petróleo está no centro, mas como arma estratégica, não como espólio econômico. Por anos, ninguém questionou o controle chinês sobre parte do petróleo venezuelano. A reação só veio quando os EUA impediram que esse recurso fosse usado contra seus interesses. Energia no século XXI é sinônimo de poder.

Esse episódio revive a Doutrina Monroe. Desde 1823, a política externa americana defende que potências externas não firmem bases no hemisfério ocidental. O que parecia historiado voltou ao centro do palco. A mensagem é clara: alianças hostis não serão mais toleradas.

Aqui o Brasil entra na equação. O governo Lula condenou o uso da força e defendeu negociação, porém essa negociação foi esvaziada há décadas. O Brasil adotou ambiguidade, relativizou fraudes e manteve proximidade com o regime venezuelano. Hoje, esse custo aparece.

A geopolítica não se comoverá com notas diplomáticas. A mensagem de Caracas é clara: a era da ambiguidade acabou. Países com alianças antiamericanas devem reconsiderar suas posições. Ignorar essa mudança não tornará ela inexistente.

Há um alerta mais profundo. Democracias corroídas internamente — com instituições capturadas, opositores criminalizados e ausência de alternância — estão em risco. A Venezuela é um caso extremo, mas não isolado. Vê-la só como notícia internacional é perder a mensagem.

Um novo ciclo político começa na América Latina. A esquerda regional perdeu seu principal modelo. O impacto chegará ao Brasil, inclusive nas eleições de 2026. Candidatos que entenderem essa nova realidade terão vantagem, os que insistirem em velhas narrativas serão superados.

O Brasil não precisa alinhar-se automaticamente aos EUA, mas não pode se enganar com uma neutralidade inviável. Num mundo dividido em zonas de influência, não escolher é escolher ser irrelevante.

O tabuleiro mudou. As peças estão sendo movidas. As consequências serão inevitáveis.

Créditos: InfoMoney

Modo Noturno