Protestos intensos no Irã contra governo de Khamenei geram caos nas ruas
Nas últimas semanas, o Irã tem vivido cenas de intenso tumulto e manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei. Vídeos compartilhados nas redes sociais exibem multidões em diversas cidades iranianas gritando contra o regime, incendiando veículos e rasgando bandeiras nacionais.
O líder supremo do país declarou nesta sexta-feira (9) que o governo não vai retroceder frente aos protestos, que ganharam força e apresentaram episódios violentos recentemente. Em pronunciamento pela TV estatal, Khamenei qualificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.
Os protestos começaram no final de dezembro em Teerã devido à crise econômica, com a moeda local, o rial, perdendo metade do valor frente ao dólar e a inflação acima de 40% em dezembro. Com o aumento da repressão policial, os manifestantes passaram a exigir a renúncia do líder supremo.
Desde então, as manifestações tornaram-se as maiores contra o governo iraniano desde 2009, alcançando 25 das 31 províncias do país, segundo a agência AFP.
Até o momento, mais de 60 pessoas morreram nos protestos, incluindo forças de segurança, conforme dados de organizações de direitos humanos que atuam dentro do Irã. O número real pode ser maior devido à dificuldade no acesso a informações precisas.
O clima tenso também elevou as já delicadas relações entre EUA e Irã. O ex-presidente Donald Trump afirmou que não aceitará mortes de manifestantes pelo regime e prometeu sanções duras caso isso ocorra. O líder iraniano respondeu com críticas ao presidente dos EUA, acusando-o de arrogância e de ter as mãos manchadas pelo sangue de iranianos devido aos bombardeios em 2025.
Na quinta-feira, o protesto ganhou mais força após Khamenei ordenar um apagão nas comunicações de internet e telefone para tentar conter as manifestações. A quarta-feira anterior foi o dia mais violento, com 13 mortes registradas.
Desde o início dos protestos, comerciantes em Teerã organizaram atos contra o aumento dos preços e a desvalorização do rial, o que gerou protestos em outras cidades e incorporou novas reivindicações.
Dados da ONG Netblocks confirmam um corte nacional de internet no Irã. Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, morreram, além de centenas de feridos e mais de 2 mil detenções.
As manifestações atuais são as maiores desde 2022, quando protestos ocorreram após a morte de Mahsa Amini, jovem detida por violar as normas de vestimenta para mulheres.
Imagens divulgadas mostram cenas de carros e edifícios sendo incendiados nas ruas de Teerã em protestos contra o governo de Khamenei.
Créditos: g1