Agricultores irlandeses protestam contra carne brasileira em acordo Mercosul-UE
Milhares de agricultores na Irlanda realizam protestos contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado um dia antes. O foco principal da manifestação é a carne bovina do Brasil, que poderá ser vendida no mercado europeu a preços inferiores.
Os produtores irlandeses defendem que a entrada da carne brasileira poderá comprometer suas exportações. A Associação Irlandesa de Agricultores elogiou a decisão do governo de votar contra o acordo, argumentando que as salvaguardas previstas não asseguram que a carne importada seguirá os padrões exigidos pela UE.
O movimento Independent Ireland organizou uma grande manifestação em Athlone, no condado de Westmeath. O protesto contou com dezenas de tratores durante um percurso na rodovia M6, seguido por discursos na Universidade Tecnológica do Shannon.
A entidade solicitou aos eurodeputados que formem coalizões com outros países da UE para se opor ao acordo. Francie Gorman, presidente da Associação Irlandesa de Agricultores, afirmou à agência irlandesa RTE que trabalharão até a votação no Parlamento para fortalecer a oposição.
Simon Harris, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Irlanda, declarou que o acordo “não é um fato consumado” e que ainda há oportunidade para apresentar preocupações. Ele acrescentou que o governo poderá aprovar o tratado se forem feitas modificações relacionadas à segurança alimentar e ao cumprimento das normas ambientais.
A Irlanda foi um dos cinco países da União Europeia que votaram contra o acordo com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Os demais países contrários foram França, Áustria, Hungria e Polônia.
Na véspera, manifestações ocorreram também na Polônia, além de bloqueios de estradas na França e Bélgica.
Após 26 anos de negociações, a União Europeia aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul, que abrangerá um mercado de 722 milhões de consumidores e será o maior tratado desse tipo no mundo. Apesar da resistência inicial da França, os representantes dos Estados-membros autorizaram que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o acordo no dia 17 de janeiro, no Paraguai.
Para aprovação, o acordo precisava do apoio de pelo menos 15 países que correspondam a 65% da população total do bloco. Posteriormente, o Parlamento Europeu terá de ratificar o tratado para que ele entre em vigor.
Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia, definiu o acordo como fundamental para a UE nos aspectos econômico, político, estratégico e diplomático.
Créditos: UOL Economia