Repúdio internacional cresce após repressão do Irã contra manifestantes
Autoridades internacionais expressaram apoio aos iranianos que protestam contra o regime dos aiatolás, enfrentando forte repressão.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, declarou no sábado (10) que a União Europeia apoia integralmente os manifestantes. Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, qualificou a reação das forças de segurança como desproporcional e inaceitável contra protestos pacíficos.
Kallas também criticou o bloqueio da internet e a repressão violenta, ressaltando que o regime tem medo do seu povo, em publicação na rede social X.
Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, censurou a repressão e pediu maior pressão internacional sobre Teerã, associando a opressão interna do Irã com seu apoio à guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Na sexta-feira, os chefes da França, Alemanha e Reino Unido condenaram fortemente os assassinatos durante os protestos. Em nota conjunta, Friedrich Merz, Keir Starmer e Emmanuel Macron responsabilizaram as autoridades iranianas pela proteção da população e pela garantia das liberdades de expressão e reunião pacífica.
Donald Trump também alertou os líderes iranianos, e seu secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou o apoio dos Estados Unidos ao povo iraniano.
A Guarda Revolucionária do Irã classificou a segurança como uma linha vermelha e prometeu proteger a propriedade pública, enquanto o regime intensifica esforços para conter os maiores protestos dos últimos anos.
Os protestos, iniciados como reação à inflação crescente, ampliaram-se rapidamente para reivindicações políticas que pedem o fim do regime islâmico.
O Exército afirmou que “grupos terroristas” ameaçam a segurança e anunciou a proteção das estruturas estratégicas e bens públicos, sob comando do aiatolá Ali Khamenei.
O procurador-geral Mohammad Movahedi Azad afirmou que os processos contra manifestantes serão rigorosos, segundo a agência Tasnim.
No exterior, o filho do último xá do Irã, deposto em 1979, tem se destacado como voz influente apoiando os protestos.
Até o momento, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas nos últimos 13 dias, conforme a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos. É o maior desafio ao regime iraniano em anos.
Em 2025, quase 2 mil prisioneiros foram executados, segundo relatório da organização Hengaw para direitos humanos, totalizando 1.858 mortos.
A escalada da inflação ficou evidente quando preços de produtos básicos, como óleo e frango, dispararam repentinamente e alguns sumiram das prateleiras.
O agravamento ocorreu após o Banco Central do Irã encerrar um programa que permitia importadores acessarem dólares a preços mais baixos, levando a alta dos preços e fechamento de lojas, o que provocou os protestos.
Essa situação afeta especialmente os bazaaris, grupo tradicionalmente alinhado ao regime islâmico, cuja decisão representa uma medida drástica.
Créditos: CNN Brasil