Mortes, prisões e apagão digital ampliam crise interna no Irã
O Irã enfrenta sua maior crise interna em anos, com protestos contra o regime ocorrendo em todas as 31 províncias do país, enquanto o governo mantém um apagão digital que já dura mais de dois dias. Organizações de direitos humanos relatam que dezenas de pessoas foram mortas durante as manifestações, e milhares foram detidas.
A situação se agrava diante de relatos de manifestantes que afirmam ter visto pilhas de corpos em hospitais, e o regime indica a possibilidade de intensificar a repressão contra os protestos. Em Mashad, cidade natal do líder supremo Ali Khamenei, manifestantes derrubaram e rasgaram a bandeira da República Islâmica, desafiando as autoridades.
O governo cortou as comunicações digitais, o que aumenta o receio de que esse apagão seja usado para intensificar a repressão aos manifestantes. A falta de internet dificulta a organização dos protestos e impede que informações sobre a situação real do país cheguem ao público externo.
Um elemento novo nesta sequência de manifestações é o clamor pela volta da monarquia, algo não visto em protestos anteriores. Alguns manifestantes parecem responder aos apelos de Reza Pallav, filho mais velho do último xá do Irã, que vive exilado nos Estados Unidos desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em um artigo no Washington Post, Pallav afirmou que não interpreta o grito dos manifestantes como uma reivindicação por seu poder. Ele se coloca como um líder de transição que ajudaria a guiar o Irã da tirania à democracia. Apesar de ser uma figura controversa, com apoio de muitos monarquistas iranianos que sentem falta dos tempos do xá, a extensão de seu apoio dentro do país é incerta.
Muitos iranianos consideram que Pallav, que não pisa no Irã há décadas, está desconectado do povo que tem estado na linha de frente da luta por liberdade e democracia. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação os acontecimentos, temendo que a repressão se fortaleça nos próximos dias.
Créditos: CNN Brasil