Número de mortos em protestos no Irã chega a 203, diz grupo de direitos humanos
O número de mortos nos protestos que ocorrem no Irã há quase duas semanas subiu para 203, conforme informado por um grupo de ativistas que monitora os acontecimentos no país.
Segundo a organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, essa é a contagem atual, conforme reportada pela agência Reuters.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, chamou neste domingo a população para se afastar dos “terroristas e badernistas” e buscou uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, ele culpou os Estados Unidos e Israel por instigar o caos e a desordem interna.
A Guarda Revolucionária do Irã, corpo militar importante na defesa do regime do aiatolá Ali Khamenei, declarou que a proteção da segurança nacional é ponto inegociável.
Além disso, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares norte-americanas no Oriente Médio caso haja algum ataque dos EUA. Essa ameaça veio após Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ameaçar intervir na crise caso o regime iraniano mate manifestantes pacíficos.
No sábado, Trump reafirmou que o Irã busca a liberdade e declarou que os americanos estão prontos para ajudar. A imprensa norte-americana relatou que ele estuda opções para possíveis ações militares e alternativas para apoiar os manifestantes, de acordo com informações do The New York Times e do Axios.
Pezeshkian afirmou ainda que o governo está disposto a “ouvir seu povo” e a resolver questões econômicas.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, conversou no sábado por telefone com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a possibilidade de intervir no Irã, informou a Reuters.
Desde o início dos protestos contra o regime de Khamenei, no final de 2025, o movimento ampliou sua escala e violência.
Na sexta-feira (9), Khamenei declarou que seu governo não irá ceder diante das manifestações e chamou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores” em discurso pela TV estatal.
Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do Irã, afirmou que o país está “em plena guerra” e acusou que alguns incidentes foram orquestrados externamente.
O regime iraniano também culpou os Estados Unidos pela incitação dos protestos, acusação que foi considerada “delirante” por um porta-voz do Departamento de Estado americano, que afirmou que isso visa desviar a atenção dos problemas internos iranianos.
A repressão do governo aumentou neste sábado, segundo a agência AFP.
O Irã não vivia um movimento de protesto dessa magnitude desde 2022, quando ocorreram manifestações após a morte de Mahsa Amini, detida por suposta violação do código de vestimenta feminina.
As manifestações acontecem em um momento delicado para o país, que enfrenta consequências das recentes tensões com Israel e perdas sofridas por aliados na região.
Além disso, em setembro, a ONU reinstaurou sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Imagens mostram manifestantes incendiando carros e edifícios nas ruas de Teerã durante os protestos contra o governo de Khamenei em janeiro de 2026.
Créditos: g1