Internacional
12:06

Presidente interina da Venezuela tem forte ligação com setor petroleiro e Chevron

Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela, possui uma ligação sólida com o setor petrolífero do país, além de histórico de negociações com empresas estrangeiras, incluindo a americana Chevron.

Considerada uma das líderes mais influentes do chavismo, Rodríguez esteve à frente da gestão da pandemia e da abertura do setor de petróleo a empresas internacionais durante o governo de Nicolás Maduro. Em 2024, acumulou a função de vice-presidente com o comando do Ministério dos Hidrocarbonetos.

Em 2025, ela conduziu a última assinatura contratual entre a Venezuela e a Chevron, na qual o pagamento foi feito em barris de petróleo. Essa negociação foi interpretada como um gesto de aproximação do governo venezuelano com a companhia, apesar das condições serem desfavoráveis ao regime.

Após a prisão de Maduro pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, sob acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico de drogas e uso de armamento pesado, Rodríguez assumiu como líder do país em 5 de janeiro. Maduro nega as acusações.

A Venezuela detém a maior reserva petrolífera do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris, mas sua exploração enfrenta desafios técnicos devido à alta viscosidade do petróleo, exigindo infraestrutura refinada que a estatal PDVSA não possui atualmente.

O petróleo venezuelano é um tema central para o governo de Donald Trump, que expressou interesse em abrir as reservas para grandes petroleiras americanas. No dia seguinte à prisão de Maduro, Trump anunciou investimentos bilionários para recuperar campos e oleodutos no país, com parte dos lucros destinados aos Estados Unidos.

Atualmente, a Chevron é a única grande petroleira norte-americana atuante na Venezuela, responsável por aproximadamente um terço da produção diária de 900 mil barris. Outras empresas estudam cuidadosamente os riscos relacionados à segurança jurídica e econômica, diante de um histórico de nacionalizações e litígios.

A professora Denilde Holzhacker, especialista em Relações Internacionais, aponta que o aspecto mais relevante não é apenas a relação de Rodríguez com o setor petrolífero, mas seu relacionamento com o governo Trump, que parece privilegiar unilateralmente os interesses dos EUA.

A permanência de Rodríguez indica continuidade na estrutura do regime de Maduro, agora sob influência direta norte-americana. O secretário de Estado Marco Rubio declarou que os EUA exercem grande controle sobre seu governo.

Segundo o Wall Street Journal, relatório da CIA indicou que integrantes do alto escalão venezuelano oferecem melhores condições para estabilidade do país do que a oposição.

A escolha de Rodríguez para liderar o país foi precedida por conversas da Casa Branca com a então vice-presidente, realizadas em outubro no Qatar, para definir sua possível liderança em um governo de transição.

Holzhacker observa que os americanos optaram por um cenário pragmático, escolhendo um lado que consideram capaz de administrar a transição com menor conflito.

Rodríguez mantém uma postura ambígua perante os EUA: colabora em demandas como libertação de presos políticos, mas nega interferência e continua apoiando Maduro, a quem declara “sequestrado”.

Essa conciliação representa um risco à imagem de Rodríguez, que pode ser vista como alguém cedendo a um protetorado americano, enfraquecendo seu poder, o que também seria um problema para os EUA, que não querem um governo sem força.

Em 7 de janeiro, Rubio apresentou o plano estadunidense para a Venezuela, articulado em três fases: estabilização da ordem, recuperação com entrada de empresas ocidentais e anistia, e transição política, sem previsão de data eleitoral.

Rodríguez é filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista e morto em 1976. Seu irmão, Jorge Rodríguez Gómez, já foi vice-presidente, prefeito de Caracas e hoje preside a Assembleia Nacional.

Iniciou sua carreira pública nos anos 2000 em cargos técnicos e gradualmente ocupou funções de destaque, incluindo ministra do Despacho da Presidência e ministra de Comunicação. Em 2017, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte.

Sua nomeação como vice-presidente em 2018 consolidou sua influência no poder. Desde 2024, dirige o Ministério dos Hidrocarbonetos, órgão vital para a economia do país.

Em fóruns internacionais, defende que sanções dos EUA prejudicam a Venezuela e a estabilidade energética global. Propõe desdolarização e parcerias comerciais com membros da Opep e mercados não ocidentais.

Rodríguez está incluída em listas de sanções de vários países, com congelamento de bens e restrições de viagens, acusada — mas sem comprovação, segundo Caracas — de minar a ordem democrática venezuelana.

Créditos: Poder360

Modo Noturno