Irã controla protestos após aumento de violência e Trump ameaça intervenção
O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que a situação no país está “sob controle total” após o aumento da violência relacionada aos protestos durante o fim de semana.
Araqchi acrescentou que o aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, contra Teerã, na qual disse que tomaria medidas caso os protestos se tornassem sangrentos, incitou “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança para justificar essa intervenção.
O presidente dos Estados Unidos declarou que os EUA devem intervir se o Irã começar a matar pessoas, em meio às grandes manifestações no país. Essa afirmação foi feita na sexta-feira (9) a repórteres na Casa Branca.
Trump já havia declarado anteriormente que faria uma intervenção, e em 2 de janeiro publicou na rede Truth Social que os EUA estavam “prontos para agir” se manifestantes pacíficos fossem mortos. No sábado, renovou as ameaças dizendo que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”.
Neste domingo (11), Trump afirmou que o Irã entrou em contato para negociar um acordo nuclear após as ameaças do republicano responderem à repressão dos protestos. Ele mencionou negociações para agendar uma reunião com Teerã, mas alertou que talvez precisasse agir primeiro, devido ao aumento de mortos no país e às prisões de manifestantes.
O chanceler iraniano não comentou sobre o possível acordo na declaração de segunda-feira (12).
Em 2017, Trump rompeu um acordo que limitava o uso de material nuclear por Teerã em troca do fim das sanções econômicas. Desde então, o Irã voltou a enriquecer urânio a níveis superiores aos necessários para produção de energia, embora não haja evidências de que o país esteja próximo de desenvolver uma bomba nuclear.
Em junho de 2025, os EUA bombardearam instalações de pesquisa nuclear iranianas, durante o conflito entre Teerã e Israel.
O grupo de direitos humanos HRANA, sediado nos EUA, informou que o número de mortos nos protestos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Mais de 10.670 pessoas estariam presas, conforme a organização.
Outras ONGs também monitoram a crise e relatam mortes durante os protestos. O país está isolado após o corte da internet pelo líder Ali Khamenei, dificultando a confirmação dos números, mas há relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra manifestantes.
O governo iraniano não divulga regularmente números oficiais das ações policiais e acusa os EUA e Israel de infiltrarem seus agentes nos protestos, responsabilizando-os pelas mortes. O chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, informou que as forças de segurança aumentaram o nível de confronto contra os manifestantes. A Guarda Revolucionária destacou que proteger a segurança nacional é inegociável.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian pediu que a população mantenha distância dos “terroristas e badernistas” e buscou diálogo com os manifestantes, ao passo que acusou os EUA e Israel de promoverem “caos e desordem” no país.
No mesmo dia, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso sofra um bombardeio norte-americano. Essa declaração vem após Trump ameaçar intervenção se o regime matar manifestantes pacíficos.
Pezeshkian afirmou que o governo está disposto a ouvir seu povo e determinado a resolver questões econômicas.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiu com o premiê israelense Benjamin Netanyahu sobre a possibilidade de intervenção no Irã durante uma conversa telefônica no sábado, segundo a agência Reuters.
Créditos: g1