Internacional
09:07

Presidente do Irã convoca população a marcha contra violência em meio a protestos

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, convocou a população para uma “marcha de resistência nacional” nesta segunda-feira (12.jan.2026), em todo o país. Ele atribuiu a violência ocorrida a “criminosos terroristas urbanos”, conforme informado pelo New York Times.

Pezeshkian declarou à TV estatal iraniana no domingo (11.jan) que está empenhado em apaziguar a insatisfação dos iranianos em relação à situação econômica, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes desestabilizem o país.

A repressão severa contra os protestos no Irã causou um aumento no número de mortos nos últimos dias. Segundo a agência Human Rights Activists News Agency (Hrana), até domingo (11.jan), 544 pessoas morreram, incluindo 47 policiais, e 10.681 foram presas.

Autoridades iranianas responsabilizam os Estados Unidos e Israel pelo apoio aos manifestantes. O governo decretou três dias de luto nacional pelas vítimas dos “criminosos terroristas urbanos”, expressão que provavelmente inclui os agentes de segurança mortos nos confrontos, informou a agência Tasnim. A agência também citou o presidente iraniano lamentando a perda dos “filhos queridos do país”.

De acordo com o New York Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando sanções e possíveis ciberataques contra o Irã, e ameaça ações militares caso a repressão resulte em mais mortes. Trump planeja se reunir na terça-feira (13.jan) com Marco Rubio (secretário de Estado), Pete Hegseth (secretário de Guerra) e o general Dan Caine (chefe do Estado-Maior) para discutir medidas sobre o Irã.

Desde o final de dezembro de 2025, o Irã enfrenta uma onda de protestos inicialmente motivados pela crise econômica, com inflação alta, desvalorização da moeda e elevação dos preços dos bens essenciais. Posteriormente, os atos passaram a exigir reformas políticas e no sistema judiciário, maior liberdade e protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país.

Khamenei governa desde 1989 um regime teocrático islâmico xiita, concentrando poder absoluto como líder supremo com autoridade sobre todos os poderes constitucionais. O regime segue a Sharia, impondo restrições rigorosas às mulheres, como o uso obrigatório do hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização conjugal para viagens internacionais.

A oposição é fragmentada, incluindo monarquistas exilados, a Organização dos Mujahideen do Povo (MEK), minorias étnicas e movimentos protestantes reprimidos, sem liderança unificada.

Os protestos ocorrem em meio a contínuas interrupções de internet e severas restrições de comunicação, com o país tendo cortado o acesso à internet após Khamenei qualificar os manifestantes como “sabotadores”.

A resposta do governo foi uma repressão dura, com registros de uso de armas de fogo, gás lacrimogêneo, munição de espingarda e ameaças judiciais contra os manifestantes. Apesar dos bloqueios na internet, alguns meios governamentais divulgaram imagens e relatos alegando atos violentos dos protestantes, incluindo danos à propriedade e risco à vida de cidadãos.

Créditos: Poder360

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