Trump diz que Irã procurou EUA para negociar após pressão e mortes em protestos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, declarou que o Irã procurou o governo norte-americano para iniciar negociações após um período de pressão exercida por Washington. Ele afirmou que o contato ocorreu no sábado, 10 de janeiro de 2026, e que isso pode resultar em uma reunião, embora uma ação possa ser adotada antes desse encontro.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou na segunda-feira, 12 de janeiro, que os canais de diálogo com os Estados Unidos continuam abertos. De acordo com o porta-voz Esmaeil Baghaei, em entrevista à mídia estatal, o contato pode ocorrer por meio de um diplomata especial dos EUA ou por intermédio da Suíça, conforme notícia da agência Anadolu.
Em entrevista concedida a jornalistas no Air Force One no domingo, 11 de janeiro, Trump afirmou que os iranianos “querem negociar” e considerou que o país estaria “cansado de apanhar dos Estados Unidos”. O presidente também mencionou que acompanha relatos sobre mortes que, em sua opinião, deveriam ter sido evitadas.
Ele questionou a legitimidade dos líderes iranianos, dizendo: “Se você pode chamá-los de líderes, eu não sei se são líderes ou apenas pessoas que governam pela violência”.
Trump ressaltou que o governo norte-americano está avaliando a situação cuidadosamente, com participação das Forças Armadas, e que “opções muito fortes” estão sendo consideradas, com uma decisão a ser tomada em breve.
Essas declarações ocorreram após reportagens indicarem que Trump avançou na intenção de aplicar medidas mais rigorosas contra Teerã. O Wall Street Journal informou que o presidente convocou uma reunião para discutir uma possível ação dos Estados Unidos contra o Irã na terça-feira, 13 de janeiro. O The New York Times divulgou que o governo avalia sanções adicionais e ciberataques como alternativas possíveis.
O contexto dessas declarações acompanha o agravamento da situação interna no Irã. Segundo a Human Rights Activists News Agency (Hrana), 544 pessoas morreram, entre elas 47 policiais, e 10.681 foram presas.
Desde o final de dezembro de 2025, o Irã vive uma onda de protestos iniciada pela grave crise econômica, marcada por alta inflação, desvalorização da moeda e aumento dos preços de bens essenciais. Centenas de manifestantes têm exigido reformas políticas e judiciais, maior liberdade e se posicionado contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo desde 1989.
O regime teocrático xiita concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício que exerce autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. Baseado na Sharia, a lei islâmica, o governo impõe restrições rígidas às mulheres, incluindo o uso obrigatório de hijab a partir dos nove anos e a necessidade de autorização marital para viagens ao exterior. A oposição está fragmentada, composta por monarquistas no exílio, a Organização dos Mujahideen do Povo (MEK), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem uma liderança unificada.
Créditos: Poder360