Trump diz que Irã deseja negociar, mas ação militar ainda é possível
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no domingo (11) que o Irã deseja “negociar”, embora tenha indicado que medidas militares continuam sendo uma opção.
“Uma reunião está sendo organizada… Eles querem negociar”, afirmou Trump, acrescentando: “Talvez tenhamos que agir antes da reunião”.
Trump tem ameaçado o Irã caso o país reprima os protestos que ocorrem há duas semanas contra o regime teocrático.
Na quinta-feira (8), autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e bloqueio as linhas telefônicas durante o maior dia de manifestações nacionais até o momento, isolando o país do mundo exterior.
Organizações de direitos humanos relataram que mais de 500 pessoas foram mortas e aproximadamente 10.600 foram presas desde o início dos protestos.
No domingo (11), Trump afirmou que o Irã o contatou no sábado (10) para negociar.
“Eles ligaram ontem […] O Irã ligou para negociar”, disse o presidente americano.
“Os líderes do Irã querem negociar […] Acho que eles estão cansados de confrontar os Estados Unidos. O Irã deseja negociar conosco”, complementou.
Essas declarações ocorreram poucos dias após Trump afirmar a repórteres que, caso Teerã reprima manifestantes, os EUA “interviriam”.
A CNN noticiou que Trump avalia diversas opções de intervenção, incluindo ataques militares ou a imposição de novas sanções a figuras do regime ou setores da economia iraniana, como energia e bancos.
No primeiro semestre do ano passado, houve várias rodadas de negociações indiretas entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e o enviado americano Steve Witkoff, focadas em limites ao programa nuclear do Irã, especialmente no enriquecimento de urânio.
Os EUA também exigiram discutir o programa de mísseis balísticos iraniano, que Teerã rejeitou, argumentando que impor restrições a seus mísseis o deixaria vulnerável, posição que pode ter se intensificado após um ataque israelense-americano ao Irã em junho.
A última rodada de negociações entre Washington e Teerã em maio foi considerada profissional e construtiva, porém foi abruptamente interrompida após Israel lançar um ataque surpresa ao Irã em junho e os EUA bombardearam instalações nucleares iranianas.
Naquela ocasião, Trump declarou que o programa nuclear iraniano havia sido aniquilado, embora outras avaliações indicassem que o programa foi apenas atrasado meses ou anos, mas não destruído.
O Irã diz estar disposto a retomar negociações, mas não abrirá mão do enriquecimento de urânio, que pode ser utilizado para a construção de armas nucleares se refinado a níveis altos.
Em maio, Araghchi publicou que “descobrir o caminho para um acordo não é complicado. Zero armas nucleares significa acordo; zero enriquecimento significa que não há acordo”.
Em entrevista à CNN em novembro, Kamal Kharrazi, conselheiro de política externa do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, afirmou que os Estados Unidos devem ser os primeiros a retomar as negociações.
“Eles precisam dar o primeiro passo para demonstrar disposição para dialogar sob as condições que impusermos… as negociações devem ser baseadas em igualdade e respeito mútuo”, disse ele.
Créditos: CNN Brasil