Economia
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Novos acordos comerciais ampliarão comércio brasileiro em 31% até 2025

A entrada em vigor de três novos acordos de livre comércio — Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura — fará com que quase um terço do comércio exterior do Brasil tenha tarifas zero ou alíquotas reduzidas, aumentando a inserção internacional do país e criando oportunidades para o setor privado, afirmou à CNN o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

Estimativas inéditas do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) apontam que atualmente cerca de US$ 78 bilhões das exportações e importações brasileiras se beneficiam de acesso preferencial, ou 12,4% do total do comércio.

Esses dados são referentes a 2025 e já incluem a livre circulação de bens com os parceiros do Mercosul — Argentina, Uruguai e Paraguai — além de acordos com Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Israel e Egito.

Com a assinatura dos acordos Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura, o cenário muda significativamente, expandindo o alcance internacional do Brasil.

De acordo com cálculos do MDIC, as exportações e importações brasileiras cobertas por tarifas zero ou alíquotas reduzidas crescerão para mais de US$ 118,7 bilhões, correspondendo a 18,9% do comércio total.

Quando todos os acordos estiverem vigentes, o volume de produtos beneficiados no comércio bilateral deve atingir US$ 196,4 bilhões, o que representa 31,2% do comércio exterior em 2025.

“A ampliação do comércio beneficiado por preferências comerciais fortalece a inserção internacional e cria novas oportunidades para empresas brasileiras”, disse Alckmin.

“Este avanço significativo, que equivale a um aumento de aproximadamente 2,5 vezes em pouco tempo, reforça a competitividade da economia, estimula investimentos e gera empregos melhores”, completou.

O tratado Mercosul-Cingapura foi assinado em dezembro de 2023, mas está em revisão jurídica e ainda não foi enviado ao Congresso Nacional para ratificação.

Em setembro de 2025, o Mercosul concluiu acordo com a EFTA, grupo formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Nesta semana, após 25 anos de negociações, está prevista para sábado (17), em Assunção, a assinatura do tratado Mercosul-UE, com o Paraguai à frente da presidência rotativa do bloco.

Após o acordo com a União Europeia, o Mercosul negocia tratados de livre comércio com pelo menos oito outros países.

Além disso, há discussões para modernizar acordos existentes com Colômbia e Equador, que atualmente apresentam regras desatualizadas e tratamento limitado a serviços e normas aduaneiras.

Há interesse em iniciar negociações com o Japão, possivelmente começando por uma parceria estratégica antes de avançar no acordo comercial.

O Reino Unido também demonstrou interesse em acordo com o Mercosul, embora ainda não tenha avançado em negociações.

Segundo a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, o governo brasileiro deseja avançar em todas as frentes negociadoras, mas enfrenta limitações devido à escassez de equipes para atender as demandas.

“Queremos avançar em todas as negociações. A vontade existe”, declarou a embaixadora em encontro com jornalistas em dezembro.

Créditos: CNN Brasil

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