Bloqueio de internet no Irã ultrapassa 108 horas em meio a protestos
O Irã está sofrendo um bloqueio de internet que já ultrapassa 108 horas, de acordo com a ONG Netblocks. Esse apagão começou em 8 de janeiro com o intuito de isolar a população e esconder a repressão contra as manifestações que surgiram devido à crise econômica e ao colapso da moeda local, o rial.
Os protestos são os maiores desde 2022 e se espalham pelo país, com os manifestantes se posicionando contra o regime e defendendo a restauração da dinastia Pahlavi. A Netblocks, especializada em monitoramento de redes, informou na terça-feira que a internet foi cortada em todo o território iraniano no 12º dia dos protestos.
Segundo relatos, a medida visa encobrir a repressão aos protestos, que começaram em 28 de dezembro quando comerciantes em Teerã protestaram contra o aumento de preços e a desvalorização do rial, motivando manifestações similares em outras cidades.
Desde então, os protestos se expandiram pelas províncias do país e resultaram em centenas de mortos, incluindo integrantes das forças de segurança. Vídeos autenticados pela AFP mostram manifestantes cantando slogans como “é a batalha final, Pahlavi voltará”, fazendo referência à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica em 1979, e “Seyyed Ali será destituído”, referindo-se ao líder supremo Ali Khamenei, que está no poder desde 1989.
A ONG Netblocks afirmou que o Irã enfrenta atualmente um corte nacional de internet baseado em dados em tempo real e destacou que essa ação faz parte de uma série de medidas de censura digital contra os protestos.
Na última quinta-feira, o presidente iraniano Masud Pezeshkian pediu “a máxima moderação” ao lidar com os manifestantes e defendeu o diálogo, além da escuta das reivindicações do povo.
Inicialmente motivadas pelo custo de vida, essas manifestações são as mais expressivas desde os protestos que ocorreram após a morte de Mahsa Amini em 2022, presa por supostamente violar as rígidas regras de vestuário para mulheres.
Créditos: O Globo