Internacional
09:06

Onda atual de protestos no Irã destaca crise e pressão internacional

A situação no Irã parece repetir padrões de protestos anteriores, com repressão severa das forças de segurança, centenas de mortos, milhares de presos, além de bloqueios na internet e telefonia para sufocar os manifestantes. Porém, esta mobilização tem diferenças em relação às grandes manifestações de 2009, contra o resultado das eleições, e de 2022, após a morte de uma jovem por não usar o véu.

Desta vez, a insatisfação popular ocorre em um contexto de crise econômica grave e após uma guerra de 12 dias com Israel em junho passado, deixando o regime dos aiatolás vulnerável.

Além disso, o presidente dos Estados Unidos demonstra interesse em apoiar os manifestantes, considerandolhes uma linha vermelha para intervenção devido à violência na repressão. O “The Wall Street Journal” divulgou que possíveis ações dos EUA incluem ataques militares, uso de armas cibernéticas, aumento de sanções e suporte online a grupos antigovernamentais, medidas essas que devem ser apresentadas a Donald Trump.

Trump, por sua vez, avalia a situação com seriedade e já pressiona comercialmente o Irã, aplicando tarifas de 25% aos países que negociarem com o país.

Os protestos atingem as 31 províncias do Irã. Mesmo que a mobilização diminua, a economia do país segue em declínio, e a revolta deve crescer a médio e longo prazo, segundo o especialista iraniano Vali Nars, da Universidade Johns Hopkins.

O estopim foi o descontentamento dos comerciantes do Grande Bazar, tradicional aliado do regime desde a Revolução Islâmica de 1979. As medidas de austeridade e liberação de subsídios anunciadas pelo presidente Masoud Pezeshkian não impediram que os protestos ganhassem foco na mudança de regime, além das questões econômicas e corrupção.

A diferença geracional também pesa: 47% dos iranianos têm menos de 30 anos e foram nascidos após a Revolução, sendo o principal grupo a impulsionar os protestos, invadindo prédios públicos e queimando imagens do líder supremo Ali Khamenei.

Desde a última quinta-feira, o regime decretou o bloqueio total da internet para tentar isolar a população, contudo isso dificulta ainda mais a economia do país.

Essa combinação de fatores demonstra que o medo do governo está enfraquecendo, assim como a capacidade do regime para implementar reformas a curto prazo parece limitada.

Créditos: g1

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