Internacional
09:06

Trump considera intervenção no Irã em meio a protestos e pressão internacional

Comandantes americanos solicitaram a Donald Trump tempo para reforçar suas tropas, destacando que, enquanto ações na Venezuela foram planejadas em etapas, a situação no Irã, devido à sua complexidade, é ainda mais delicada. Fontes do jornal Jerusalem Post indicam que Trump já decidiu por uma intervenção em apoio aos manifestantes que enfrentam repressão violenta nas ruas.

A tarifa de 25% sobre produtos de países que mantêm comércio com o Irã, incluindo o Brasil, atua como pressão adicional, mas a chance de os líderes do regime iraniano cederem sem ação militar é muito reduzida.

A atenção da imprensa israelense aos eventos no Irã é crucial, pois o país é profundamente afetado pela situação. Israel age com cautela para evitar que o regime teocrático iraniano use as manifestações para acusar os protestos de manipulação por parte de “entidades sionistas” ou “territórios ocupados”, termos usados pelo inimigo de Israel.

No começo dos protestos, o lema “nem xá nem mulás” indicava rejeição tanto à monarquia quanto ao regime clerical. Entretanto, recentemente surgiram manifestações que apoiam Reza Pahlavi, herdeiro do xá, que vivia no exílio e tinha pouca relevância política. Em abril de 2023, Pahlavi visitou Israel, o que o excluía do cenário político iraniano, considerando-o um traidor. Agora, bandeiras monarquistas e a estrela de Davi têm sido vistas juntas nas manifestações.

Um cenário de um Irã com relações amistosas com Israel seria surpreendente e transformador. O eixo xiita, já fragilizado pela perda da Síria, poderia ruir, afetando Hezbollah e Hamas, e possibilitando um entendimento com os Estados Unidos e Israel para um Estado Palestino pacífico.

Apesar disso, o regime persiste, mesmo com dois sinais que, segundo o analista britânico Michael Clarke, indicam que mudanças de regime ocorrem quando protestos se espalham além da capital e incêndios em edifícios governamentais ocorrem — ambos presentes no Irã.

O poder repressivo dos Guardiões da Revolução Islâmica mantém o controle, garantindo lealdade das forças de segurança e impedindo mudanças internas.

Sem apoio ou colaboração das forças armadas, os manifestantes, que já sofreram mais de 600 mortes, podem se desgastar.

Há também a possibilidade de Trump apoiar os protestos, motivado pelos apelos iniciais dos manifestantes para que não sejam mortos. Isso representaria um golpe para os inimigos dos EUA, Venezuela e Irã, ambos com grandes reservas de petróleo, um ponto de interesse para Trump.

Essa sequência de derrotas afetaria também Vladimir Putin, que perdeu aliados e enfrenta dificuldades com sua parceria militar com o Irã.

No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, qualificou a repressão como uma “guerra ao terrorismo” e ameaçou Trump com uma “lição inesquecível” caso haja interferência, embora seu poder real seja limitado.

O que Trump fará ainda é incerto, mas, segundo o Jerusalem Post, diferentes da intervenção na Venezuela, medidas como sanções secundárias são instrumentos que só poderão ser revogados mediante avanços significativos em relação à repressão dos protestos.

O jornal também citou Tamir Hayman, ex-chefe da inteligência militar israelense, que afirmou que os Estados Unidos já atuam numa campanha informacional fundamental.

Trump declarou que os EUA querem negociar, mas podem agir antes, diante dos eventos atuais.

Ele é um presidente que expressa claramente suas intenções, mesmo sem detalhar estratégias, e subestimar isso, como fez Maduro, traz riscos.

O aiatolá Ali Khamenei, com 86 anos, pode preferir a morte como mártir a ceder ao regime ou a um ataque dos Estados Unidos. A questão atual é a disposição dos iranianos frente a essa situação.

Créditos: Veja

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