Irã anuncia execução de manifestante em meio a onda de protestos no país
Há dezesseis dias seguidos, milhares de iranianos protestam nas ruas contra a ditadura dos aiatolás, mesmo sem acesso à internet e diante da crescente repressão. Organizações de direitos humanos estimam que o número de mortos seja de três mil.
A dimensão da violência na repressão aos protestos contra o governo iraniano está sendo gradualmente revelada ao mundo.
Cinco dias atrás, o governo cortou o acesso à internet para impedir a divulgação de imagens e informações, mas algumas chamadas internacionais ainda acontecem, e relatos indicam necrotérios lotados, execuções e atiradores da guarda revolucionária disparando contra civis.
Os protestos começaram motivados pela crise econômica e pelos altos preços, mas logo evoluíram para pedidos de queda do regime radical islâmico dos aiatolás, no poder desde 1979.
Um oficial iraniano disse ao jornal The New York Times que há três mil mortos, enquanto médicos relatam sinais de execuções sumárias nos corpos nos necrotérios, com soldados recebendo ordens para matar.
Uma agência de notícias iraniana de direitos humanos sediada nos EUA informou 153 mortes oficiais e 1.850 manifestantes mortos desde o início dos protestos há pouco mais de duas semanas. Um site iraniano sediado no Reino Unido estima até 12 mil mortos.
Outra organização informou que a execução por enforcamento do manifestante de 26 anos Erfan Soltani está marcada para quarta-feira (14). Ele foi preso em casa na semana passada, não teve acesso a advogado e a sentença é definitiva, sem recurso. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, já declarou que tribunais especiais julgariam os manifestantes, considerados terroristas pelo regime.
Em Genebra, o chefe das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou horror, pediu o fim imediato dos assassinatos de manifestantes pacíficos e rejeitou a rotulagem deles como terroristas para justificar a violência.
Donald Trump declarou: “Patriotas iranianos, continuem protestando — tomem o controle de suas instituições. Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho.” Questionado sobre o significado da afirmação, desconversou e mais tarde repetiu a mensagem em discurso, dizendo que o Irã era um grande país até que monstros assumiram o controle.
O chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, acusou Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de serem os principais assassinos dos iranianos.
Em meio à repressão sangrenta, Trump indicou que ação militar está entre as opções consideradas e anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que fazem negócios com o Irã, sem que a ameaça tenha virado decreto.
O Irã não se manifestou. A China, maior compradora de petróleo iraniano, afirmou que não há vencedores em uma guerra tarifária e defenderá seus direitos e interesses. A Rússia condenou a “interferência externa subversiva” e alertou que ataques americanos trariam consequências desastrosas ao Oriente Médio e à segurança internacional.
Países europeus, como Reino Unido, França, Itália e Alemanha, convocaram embaixadores iranianos como sinal de sério descontentamento.
O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, afirmou que um governo que precisa usar violência para se manter está próximo do fim, e que o regime vive seus últimos dias ou semanas.
No Brasil, o Itamaraty lamentou as mortes e declarou acompanhar com preocupação os protestos, pedindo diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
Créditos: g1 globo