Internacional
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Irã planeja executar manifestante Erfan Soltani durante protestos em Karaj

O Irã deve executar nesta quarta-feira Erfan Soltani, 26 anos, detido durante a série de protestos que desafiam o regime dos aiatolás e que já causaram mais de 2.400 mortes, segundo organizações de direitos humanos.

Soltani trabalhava no setor de vestuário e foi descrito por conhecidos como alguém apaixonado por moda, conforme informações do veículo ativista IranWire. Recentemente, ele passou a atuar em uma empresa privada da área.

O jovem está preso desde a semana passada, sem acesso a advogado, e não houve qualquer audiência judicial sobre seu caso, de acordo com a reportagem. A família de Soltani também teria sido ameaçada e está sob grande pressão, segundo uma fonte próxima que falou anonimamente ao IranWire.

De acordo com relatos, a família foi avisada de que a sentença de morte é definitiva e recebeu permissão para uma breve visita de despedida, de cerca de dez minutos, antes da execução prevista para esta quarta-feira.

A organização Hengaw de Direitos Humanos informou que Soltani foi detido em sua casa devido à sua ligação com os protestos na cidade de Karaj, onde reside. Ele enfrenta pena capital após um processo descrito como “rápido e obscuro”, no qual foi privado de direitos básicos, inclusive de defesa.

Segundo a mesma entidade, ele foi preso na última quinta-feira, e apenas quatro dias depois as autoridades comunicaram a família sobre a data da execução. A irmã de Soltani, que é advogada, não conseguiu acessar o processo por vias legais.

A iminente execução do manifestante aumentou as preocupações sobre a repressão às manifestações no país.

Desde o início dos protestos, que já duram três semanas, pelo menos 2.400 manifestantes foram mortos, e mais de 18.137 foram detidos, conforme dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem considerado opções para uma possível intervenção no Irã e alertou o país contra a execução dos manifestantes. Em entrevista à CBS, afirmou que tomaria “medidas fortes” caso o regime execute manifestantes, sem detalhar quais.

Nas redes sociais, Trump incentivou os manifestantes e disse que “a ajuda está a caminho”.

Em resposta à ameaça de intervenção, o governo iraniano acusou Trump de fomentar a desestabilização política e incitar a violência interna.

O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, enviou carta ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral António Guterres responsabilizando os Estados Unidos e Israel pela perda de vidas civis inocentes, principalmente entre jovens.

Créditos: CNN Brasil

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