Edifício Mansão Wildberger ligado a deputado baiano é alvo de operação da PF
A Polícia Federal cumpriu hoje mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), incluindo no edifício Mansão Wildberger, um dos mais sofisticados de Salvador, com apartamentos que chegam a R$ 65 milhões, associado a uma empresa do parlamentar.
Mendonça Jr. é o representante legal da incorporadora responsável pela construção do prédio. A MRM Construtora e Incorporadora foi criada em 1980 pelo pai do deputado, o ex-deputado Félix Mendonça, falecido em 2020. Entre os sócios da empresa estão parentes do parlamentar, como seu filho Rafael Passos de Mendonça, sua irmã Cristiana Mendonça Mathias e sua sobrinha Natassia de Mendonça Sarti.
O Mansão Wildberger possui vista para a Baía de Todos os Santos e conta com 40 apartamentos, um píer com acesso ao mar, quadra poliesportiva, além de piscinas coberta e aquecida.
Os apartamentos variam entre 460 e 993 metros quadrados. Um dos imóveis, anunciado por R$ 65 milhões, dispõe de seis suítes, oito banheiros, teleférico particular para o mar e dez vagas de garagem.
A construção do empreendimento foi alvo de disputa judicial, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF). Para erguer o edifício, foi preciso demolir uma edificação conhecida como Mansão Wildberger, localizada próxima à Igreja Nossa Senhora da Vitória, que é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em 2007, o Iphan e o Ministério Público Federal entraram com ação para impedir a demolição. Na época, Mendonça Júnior e outros envolvidos foram denunciados por crime ambiental, desobediência e coação no processo. Em 2013, o STF absolveu o deputado.
A operação da Polícia Federal contra Mendonça Júnior ocorreu na manhã desta sexta-feira, com nove mandados expedidos pelo STF cumpridos em endereços vinculados ao parlamentar na Bahia e no Distrito Federal. Além do edifício Mansão Wildberger, foram visitadas as residências do deputado em Salvador e Brasília, sua casa de praia e seu escritório parlamentar.
A investigação apura desvio de emendas parlamentares em municípios da Bahia. A PF obteve indícios de que o deputado usava seu secretário parlamentar, Marcelo Chaves, para negociar o pagamento de propina.
Segundo a PF, a propina era paga em dinheiro vivo. O empresário Evandro Baldino do Nascimento, integrante da suposta organização criminosa conhecida como Overclean, teria entregue valores diretamente ao deputado. O grupo atuava em contratos públicos nas áreas de engenharia e limpeza.
Félix Mendonça Júnior negou as acusações afirmando que foi surpreendido pela operação e declarou que jamais negociou emendas parlamentares, nunca indicou empresas e não exerce função de ordenador de despesas. Ressaltou que sua atuação sempre foi pautada pela legalidade, transparência e respeito às instituições.
Créditos: UOL Notícias