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09:09

Irã alerta vizinhos sobre ataque a bases dos EUA se houver intervenção nos protestos

O Irã alertou os países vizinhos que abrigam tropas americanas de que atacará bases dos Estados Unidos caso Washington realize uma ofensiva em resposta aos protestos internos, segundo declarou um alto funcionário iraniano à agência Reuters nesta quarta-feira (14).

Três diplomatas informaram que alguns militares receberam orientações para deixar a principal base aérea americana da região. Contudo, não há sinais imediatos de uma retirada em larga escala, como na ocasião do ataque iraniano com mísseis no ano anterior.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde organizações de direitos humanos relatam que mais de 2.500 pessoas morreram durante uma repressão aos protestos contra o regime teocrático.

De acordo com avaliação israelense, Trump decidiu por uma intervenção, embora o momento e a extensão ainda sejam incertos, conforme afirmou um oficial daquele país.

Segundo três diplomatas, alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira.

Um dos diplomatas caracterizou essa medida como uma “mudança de postura” e não uma “retirada ordenada”.

Não existem indícios de movimentação em larga escala de tropas para locais próximos, como estádios ou shoppings, ao contrário da situação ocorrida no ano passado, antes do ataque iraniano à base, em retaliação a ataques aéreos americanos contra alvos nucleares no Irã.

A embaixada americana em Doha não comentou imediatamente, e o Ministério das Relações Exteriores do Catar também não respondeu a pedidos de posicionamento.

Trump tem ameaçado publicamente uma intervenção há vários dias, sem detalhar os planos.

Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), o presidente americano falou em “ações muito fortes” caso o Irã reprima manifestantes.

“Se eles os enforcarem, vocês verão o que acontece”, comentou. Ele também encorajou os iranianos a continuar protestando e a assumirem o controle das instituições, afirmando que “a ajuda está a caminho”.

Uma fonte iraniana sob anonimato relatou que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que prevejam e impeçam uma ofensiva americana.

“Teerã comunicou países regionais, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia, que as bases americanas nesses territórios serão alvos se o Irã for atacado”, disse a fonte.

Também foi informado que as negociações diretas entre o ministro iraniano Abbas Araqchi e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensas, aumentando a tensão.

Uma outra fonte israelense revelou que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi comunicado sobre a possibilidade de colapso do regime ou intervenção americana no Irã.

No ano anterior, Israel e Irã entraram em conflito, com os Estados Unidos envolvendo-se no episódio.

Os EUA mantêm presença militar regional, incluindo o quartel-general do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o da Quinta Frota em Bahrein.

A mídia estatal iraniana informou que Ali Larijani, chefe do órgão de segurança do Irã, conversou com o ministro do Catar, enquanto Abbas Araqchi teve diálogo com os seus homólogos nos Emirados Árabes Unidos e Turquia.

Araqchi afirmou ao ministro dos Emirados, Sheikh Abdullah bin Zayed, que “a calma prevalece” e que o Irã está decidido a defender sua soberania contra qualquer interferência.

O fluxo de informações dentro do Irã tem sido prejudicado por bloqueio da internet.

A organização HRANA, sediada nos EUA, confirmou a morte de 2.403 manifestantes e 147 pessoas ligadas ao governo.

Autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem os protestos, qualificando os manifestantes como terroristas.

Ao visitar uma prisão em Teerã onde estão detidos manifestantes, o presidente da justiça iraniana ressaltou a necessidade de julgar rapidamente aqueles responsáveis por atos violentos, para evitar repetição dos eventos.

A HRANA informou também que foram realizadas 18.137 prisões até o momento.

O grupo de direitos curdo Hengaw indicou que Erfan Soltani, de 26 anos, detido em Karaj, seria executado nesta quarta-feira (14). A Reuters não conseguiu confirmar esta informação.

Manifestações em apoio ao governo ocorreram no Irã na segunda-feira (12), demonstrando a presença de seguidores do regime teocrático.

Não há sinais de fragmentação nas forças de segurança que reprimem os protestos desde anos anteriores.

A atual onda de manifestações surge enquanto o Irã se recupera do conflito de junho de 2025 e enfrenta enfraquecimento regional devido a perdas de aliados, como o Hezbollah, após ataques liderados pelo Hamas contra Israel em outubro de 2023.

Quando questionado sobre a expressão “a ajuda está a caminho”, Trump disse que isso será esclarecido posteriormente e que a ação militar está entre as opções para punir o Irã.

Ele também afirmou que o assassinato considerado significativo será melhor compreendido após receber um relatório na noite de terça-feira.

Na segunda-feira, Trump anunciou tarifas de 25% para importações de países que realizem negócios com o Irã, um dos maiores exportadores de petróleo.

O Departamento de Estado americano recomendou na terça-feira que cidadãos dos EUA deixem imediatamente o Irã.

Créditos: CNN Brasil

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