Irã anuncia julgamentos rápidos e primeira execução de manifestante
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, declarou que o país realizará julgamentos céleres para aqueles acusados de violência durante as manifestações.
Segundo o juiz, a rapidez dos processos é fundamental para desestimular novos protestos. “Se demorarmos muito, não teremos o mesmo efeito. Se quisermos agir, precisamos fazer isso rapidamente”, afirmou.
Estima-se que os próximos julgamentos durem menos de dois meses, conforme o próprio magistrado. Desde o início das manifestações, em dezembro, mais de duas mil pessoas estão detidas.
Em vídeo divulgado pela imprensa estatal, a mensagem do juiz foi compartilhada no mesmo dia em que está prevista a execução do primeiro manifestante, um homem de 26 anos.
Erfan Soltani, preso em 8 de janeiro em sua casa após participar dos protestos em Fardis, perto da capital Teerã, será o primeiro a ser executado.
Segundo a ONG Iran Human Rights, sua sentença ocorreu após um processo judicial rápido e obscuro, e sua família só foi informada da execução poucos dias após sua prisão. A família relatou que ele não teve acesso a advogado e que a visita foi limitada a 10 minutos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incentivou a continuação dos protestos no Irã e a ocupação de instituições. Em sua rede social Truth Social, disse que “a ajuda está a caminho” e afirmou que cancelou reuniões com autoridades iranianas até que a repressão aos manifestantes cesse.
Trump também declarou que o Exército americano avalia medidas severas contra o Irã após a morte de manifestantes, considerada uma “linha vermelha”, e que os líderes iranianos solicitaram uma reunião, mas que os EUA podem agir antes.
Abbas Araghchi, ministro iraniano que lidera as Relações Exteriores, afirmou que o país está preparado tanto para guerra quanto para negociações, defendendo uma diplomacia justa, baseada no respeito mútuo e direitos iguais.
Em um reconhecimento inicial, uma autoridade iraniana mencionou cerca de 2.000 mortos nos protestos, atribuindo as mortes a “terroristas” sem especificar mais detalhes.
A ONG Human Rights Activists News Agency contabiliza 2.403 vítimas, baseando-se em dados locais fornecidos por advogados de direitos humanos no Irã.
O número de mortos diverge enquanto o país permanece em apagão digital há mais de cinco dias. Segundo a organização NetBlocks, a internet fixa, dados móveis e linhas telefônicas foram suspensas, e outras formas de comunicação também estão sendo bloqueadas.
Pelo menos 2.600 pessoas foram presas conforme dados da Iran Human Rights, sem detalhamento de idade ou gênero dos detidos.
Os protestos, iniciados em 28 de dezembro por comerciantes do bazar de Teerã, surgiram contra inflação alta e a queda do rial, a moeda oficial. Esses atos se tornaram políticos e se espalharam para várias cidades do interior.
A República Islâmica vivencia as maiores mobilizações dos últimos três anos, enfrentando seu principal desafio desde a fundação em 1979.
Essa é a maior onda de protestos desde o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade” de 2022-2023, que teve início pela morte da estudante Mahsa Amini sob custódia, após sua prisão por usar um véu considerado inadequado pela polícia da moralidade.
Créditos: UOL Notícias