Internacional
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Homem no Irã é condenado à morte durante repressão a protestos

Erfan Soltani, 26 anos, foi preso na cidade de Fardis, próxima a Teerã, na última quinta-feira (8/1), em ligação com a atual onda de protestos no Irã. Segundo a organização de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, a família de Soltani foi informada que sua execução estava marcada para esta quarta-feira (14/1). Contudo, a execução foi posteriormente adiada, conforme familiares relataram ao grupo.

O órgão de direitos humanos expressou sérias preocupações quanto ao direito à vida do manifestante. Paralelamente, o presidente americano Donald Trump declarou que recebeu informações indicando redução nas mortes decorrentes da repressão aos protestos no Irã e afirmou que, no momento, não há planos de execuções. Trump havia ameaçado ação militar caso alguma execução ocorresse.

As autoridades judiciais iranianas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso de Soltani, nem confirmaram execuções relacionadas aos protestos recentes. O bloqueio imposto pelo governo ao acesso à internet no país tem dificultado a obtenção de informações claras sobre a situação dele e de outros detidos.

Erfan Soltani gerenciava uma loja de roupas em Fardis, Karaj, e foi detido em sua residência. Seu processo judicial foi relatado como extremamente rápido, tendo a sentença de morte sido anunciada em apenas dois dias. A família e sua irmã, que é advogada, não receberam maiores informações ou direitos de contato direto com ele, o que contraria práticas comuns de visitas antes da execução.

Os protestos, que chegaram a mais de 180 cidades do Irã, começaram pela insatisfação com a queda da moeda nacional e a alta do custo de vida, evoluindo para reivindicações por mudanças políticas profundas, representando um dos maiores desafios ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979.

Ao menos 12 homens foram executados nos últimos três anos por envolvimento nos protestos “Mulher, Vida, Liberdade”, iniciados após a morte de Mahsa Amini, jovem curda detida por suposta má utilização do hijab. Relatórios de grupos de direitos humanos indicam que essas sentenças frequentemente envolvem julgamentos considerados injustos e uso de tortura para obtenção de confissões.

Até o momento, a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA) confirmou a morte de mais de 2.400 manifestantes e prisões superiores a 18 mil, coincidindo com denúncias de repressão violenta e falta de transparência nos processos judiciais contra os manifestantes. O chefe do Judiciário iraniano prometeu acelerar julgamentos contra aqueles considerados responsáveis por atos violentos durante os protestos, incluindo julgamentos públicos para figuras principais dos distúrbios.

A organização Hengaw classificou o tratamento de Soltani como uma clara violação do direito internacional dos direitos humanos, alertando que ele pode ser o primeiro de muitos manifestantes condenados à morte por se manifestarem contra o regime.

Créditos: BBC

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