Países da Otan enviam tropas à Groenlândia em resposta a ameaças dos EUA
Diversos países da Otan estão enviando pequenos contingentes militares à Groenlândia para realizar exercícios conjuntos com a Dinamarca, em meio às crescentes ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar à força a ilha ártica.
As declarações de Trump provocaram uma crise na aliança de segurança europeia, liderada pelos EUA e com décadas de existência, ao aumentar a possibilidade de que o maior e mais poderoso membro da Otan tome o território de outro à força.
A Dinamarca, que é responsável pela defesa da Groenlândia, alertou que um ataque à ilha poderia praticamente desintegrar a organização e anunciou, nesta quarta-feira (14), a expansão de sua presença militar em cooperação com os aliados da Otan.
Alemanha, Suécia, França e Noruega confirmaram o envio de militares à Groenlândia esta semana para um exercício conjunto com tropas dinamarquesas. Canadá e França também planejam abrir consulados na capital da Groenlândia, Nuuk, nas próximas semanas.
É comum que países da Otan enviem tropas para treinamentos em outros membros, com pressão para intensificar exercícios conjuntos no Círculo Ártico há vários anos, incluindo dos EUA.
Os Estados Unidos mantêm cerca de 150 soldados na Base Espacial de Pituffik, no noroeste da Groenlândia.
No entanto, o momento e o simbolismo dos recentes anúncios europeus demonstram uma solidariedade significativa diante da tensão inédita na Otan.
Trump manifesta claramente suas intenções de assumir o controle da maior ilha do mundo, inclusive pela força se necessário, afirmando em coletiva com executivos do setor petrolífero na sexta-feira (9) que “faria algo na Groenlândia, quer eles gostem ou não”.
Em comunicado, o Ministério da Defesa alemão informou que enviará uma equipe de reconhecimento de 13 militares à Groenlândia para uma missão de exploração junto a países parceiros, a convite da Dinamarca.
A Suécia enviou um número não especificado de soldados à Groenlândia a convite da Dinamarca, conforme anúncio do primeiro-ministro Ulf Kristersson na rede social X.
Estes soldados suecos participarão da Operação Arctic Endurance, um exercício iminente realizado com tropas de outras nações aliadas.
O presidente francês, Emmanuel Macron, informou que a França participará da mesma operação, com as primeiras unidades militares já a caminho.
A Noruega enviará dois militares à Groenlândia, conforme confirmaram autoridades do Ministério da Defesa norueguês.
A Otan é uma aliança militar formada por 30 países europeus, além dos EUA e Canadá, baseada no princípio de que um ataque a um membro é um ataque a todos, tornando as ameaças dos EUA contra a Groenlândia, que integra a aliança via Dinamarca, uma situação excepcional.
O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, classificou a possibilidade de um ataque dos EUA à Groenlândia como “completamente hipotética” e “improvável que um país da Otan ataque outro país da Otan”.
A notícia sobre o envio das tropas europeias coincidiu com reuniões entre autoridades dinamarquesas, groenlandesas e representantes dos EUA, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Vice-Presidente JD Vance, na quarta-feira.
Esse encontro ocorreu poucas horas após Trump afirmar no Truth Social que “qualquer coisa menos” do que o controle americano da Groenlândia é “inaceitável”.
Trump escreveu que a Otan se tornaria mais forte e eficaz se a Groenlândia estivesse sob controle dos Estados Unidos.
Apesar da reunião, pouco foi resolvido. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que houve uma discussão franca e construtiva, porém uma divergência fundamental persiste.
Foi acordada a formação de um grupo de trabalho de alto nível para explorar possíveis caminhos comuns, com reuniões previstas para as próximas semanas.
A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, disse ter reiterado o apoio do Canadá à Dinamarca e à soberania da Groenlândia em telefonemas a seus homólogos, e planeja viajar à Groenlândia para inaugurar um consulado oficial em Nuuk.
A França também abrirá um consulado na Groenlândia em 6 de fevereiro, conforme informou o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, que pediu que os EUA cessem suas ameaças, ressaltando que atacar outro membro da Otan seria contra os interesses americanos e que essa situação precisa ser resolvida.
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Créditos: CNN Brasil