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Por que Trump considera a Groenlândia vital para o Domo de Ouro antimíssil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em 14 de janeiro de 2026 que a Groenlândia é um território “vital” para a construção do Domo de Ouro, um escudo antimísseis que deseja concluir até o fim do seu mandato.

Esta é a primeira vez que Trump explica abertamente o motivo de seu interesse em anexar a ilha que é território autônomo da Dinamarca. Até então, ele mencionava que a Groenlândia tinha importância para a segurança internacional e alertava sobre a possibilidade de Rússia e China tomarem controle do local caso os EUA não o fizessem.

A Groenlândia, localizada entre os EUA e a Rússia, há muito é considerada de importância estratégica, especialmente para a segurança no Ártico. Os EUA possuem uma base militar na ilha, embora sua presença tenha sido reduzida de cerca de 10 mil militares durante a Guerra Fria para menos de 200 atualmente.

Como a rota mais curta para míssil balístico russo atingir o território continental americano passa sobre a Groenlândia, o país pretende usar bases na ilha para interceptadores de mísseis do sistema do Domo de Ouro.

Além disso, sua posição estratégica envolve cercar rotas marítimas importantes e estar situada na lacuna GIUK, um corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, que conecta o Oceano Ártico ao Atlântico.

Com o derretimento do gelo ártico provocado pelas mudanças climáticas, novas rotas marítimas surgem, facilitando o comércio entre Ásia e Europa. Os EUA pretendem instalar radares na região para ampliar a vigilância dessas rotas, especialmente monitorando embarcações chinesas e russas.

Além do aspecto militar, a Groenlândia possui grandes reservas inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras essenciais para tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas, armazenamento de energia e Defesa.

O Domo de Ouro, inspirado no Domo de Ferro de Israel, foi anunciado por Trump em maio de 2025 e tem custo estimado em US$ 175 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão). O projeto está em desenvolvimento pelo Pentágono, que planeja finalizá-lo até o final do mandato presidencial, em 2029.

Em seu início de mandato, Trump assinou um decreto para impulsionar o projeto, citando ameaças de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro contra os EUA e adotando o conceito de “paz pela força”.

O sistema se propõe a detectar e interceptar mísseis em todas as quatro fases principais de um ataque.

Em agosto, o Pentágono apresentou o projeto em uma reunião com 3 mil empreiteiros de Defesa em Huntsville, Alabama, explicando que ainda está em fase inicial e buscando informações para os próximos passos.

A agência Reuters teve acesso a informações divulgadas pelo governo Trump sobre o projeto e seus objetivos estratégicos na Groenlândia.

Créditos: g1

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