Internacional
15:05

Trump diz que mortes no Irã estão cessando, mas não descarta ação militar

Donald Trump afirmou ter sido informado que a matança no Irã parou, mas não descartou uma intervenção militar devido à repressão violenta contra manifestantes contrários ao governo.

Segundo grupos de direitos humanos, mais de 2.400 pessoas foram mortas na recente repressão das autoridades iranianas que reagiram aos protestos em todo o país.

Os comentários de Trump em 14 de janeiro ocorreram após os EUA e o Reino Unido diminuírem a presença militar na base aérea de Al-Udeid, no Catar. Autoridades informaram à rede CBS que a retirada parcial dos americanos foi uma precaução.

O espaço aéreo iraniano ficou fechado por cinco horas durante a noite, levando diversas companhias aéreas a desviarem os voos ao redor do país.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido fechou temporariamente a embaixada britânica em Teerã, que agora funciona remotamente.

Trump também havia ameaçado medidas severas caso o Irã executasse manifestantes, após relatos de que um homem de 26 anos preso nos protestos teria sido condenado à morte.

O comerciante Erfan Soltani, detido na cidade de Fardis, oeste de Teerã, foi informado pela família à BBC que sua execução, prevista para 14 de janeiro, foi adiada, informação confirmada depois ao grupo curdo Hengaw. No entanto, a mídia estatal iraniana negou que ele tenha sido condenado à morte.

O Judiciário iraniano reiterou que não planeja executar o rapaz e classificou a cobertura da mídia estrangeira como uma fabricação de notícias.

O ministro iraniano Abbas Araghchi afirmou não haver planos para enforcamentos e alertou os EUA para não repetirem erros passados, referindo-se a um ataque militar de 2025 contra instalações nucleares iranianas.

Trump, da Casa Branca, afirmou que seu governo foi informado por fontes confiáveis de que as mortes estão cessando e de que não haverá execuções, ao mesmo tempo em que ressaltou que espera que tal informação seja correta.

Erfan Soltani foi preso por envolvimento em protestos, segundo as autoridades iranianas, sem mais detalhes divulgados à família.

Proprietário de uma loja de roupas, Soltani foi detido na semana anterior.

Na sequência das notícias, Araghchi reforçou que enforcamentos estão descartados e ressaltou que “a forca está fora de questão” para o governo.

Além disso, o Irã tem bloqueado o acesso à internet desde a última quinta-feira, dificultando reportagens independentes no país.

O grupo americano HRANA aponta até agora 2.435 manifestantes mortos, incluindo 13 crianças, e outras 882 mortes ainda em investigação.

Em meio às tensões, a Itália e a Polônia pediram a seus cidadãos que deixem o Irã, enquanto a Alemanha recomendou que operadoras aéreas evitem o espaço aéreo iraniano devido ao risco de escalada do conflito.

A empresa Lufthansa confirmou que não sobrevoará Irã e Iraque até nova ordem.

O governo do Catar enfatizou a continuidade das medidas de proteção para seus cidadãos e residentes, destacando a importância da segurança na base militar de Al-Udeid, maior base americana na região com cerca de 10 mil militares e 100 britânicos.

Trump, em sua plataforma Truth Social, incentivou os iranianos a continuarem protestando e disse que ajuda está a caminho.

Embora tenha se mostrado hesitante em apoiar adversários do líder supremo Ali Khamenei, Trump considerou possível apoiar Reza Pahlavi, figura da oposição exilada e filho do último xá do Irã, se seu país aceitasse sua liderança.

Vários manifestantes pedem o retorno de Pahlavi desde o início dos protestos, porém o apoio a ele dentro do país é incerto.

Trump disse ainda que o Governo iraniano pode ruir devido aos protestos, mas enfatizou que “qualquer regime pode fracassar”.

Diante desse contexto, a Missão dos EUA na Arábia Saudita recomendou cautela e a restrição de viagens não essenciais a instalações militares na região.

Créditos: BBC

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