Operação da PF aponta desvio e risco sistêmico no caso Banco Master
A Polícia Federal identificou indícios fortes de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Relatórios indicam transferências suspeitas, incluindo R$ 9 milhões destinados ao pai de Vorcaro. A investigação da Operação Compliance Zero, em sua segunda fase, cumpriu 42 mandados de busca e bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens.
O caso envolve um esquema fraudulento com organização criminosa, evidenciado por movimentos financeiros atípicos detectados em relatórios de inteligência financeira (Rifs). Empresas com capital social muito baixo cediam direitos creditórios milionários a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ligados ao Master.
A PF também apurou uma transferência financeira de R$ 9 milhões de um intermediário para Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, ambos alvos de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do STF Dias Toffoli.
A defesa de Vorcaro nega irregularidades e afirma que ele colaborou com as autoridades, preservando o banco e realizando aportes de capital para reforçar sua posição financeira.
O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo aponta que o esquema criminoso atua desde a década passada, configurando uma organização criminosa estruturada e planejada. Apesar de o MPF pedir que a investigação fosse na Justiça Federal de São Paulo, Toffoli reconheceu que o caso é mais amplo, abrangendo vulnerabilidades do mercado de capitais e regulamentação.
Nesta etapa, as investigações focam nas relações entre o Banco Master e fundos da gestora Reag, evidenciando um esquema que movimentava recursos por meio de uma rede complexa de fundos.
O Banco Central monitorava o Master desde 2024 devido a uma crise aguda de liquidez. O banco oferecia CDBs com rendimentos de até 140% do CDI, o que atraiu 1,6 milhão de investidores que aguardam ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O rombo chega a R$ 41 bilhões, cerca de um terço dos recursos do FGC.
O ritmo acelerado de emissão de CDBs criou um descompasso financeiro, com compromissos de curto prazo superiores às receitas de longo prazo.
As investigações indicam que as operações ilegais formavam um ciclo contínuo, com parte dos recursos retornando ao banco por meio de novos CDBs, configurando um ciclo completo de fraude.
Na primeira fase da operação, em novembro do ano passado, Vorcaro foi preso e depois liberado com tornozeleira eletrônica. A fase atual amplia as buscas para familiares e empresários ligados a ele, como seu pai, irmã e cunhado.
Os crimes sob apuração incluem organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A perspectiva de pagamento aos investidores pelo FGC não será afetada pela operação.
Créditos: O Globo