Lula e Von der Leyen celebram acordo UE-Mercosul após 25 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta sexta-feira, 16, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em uma reunião realizada um dia antes da assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Após o encontro às 14h, posaram para uma foto oficial e fizeram uma declaração conjunta, comemorando o avanço no pacto negociado por mais de duas décadas.
Lula destacou que no sábado, em Assunção, União Europeia e Mercosul irão criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas e um produto interno bruto de US$ 22 trilhões, ressaltando que a parceria é baseada no multilateralismo e mencionando os “25 anos de sofrimento” para concretizar o acordo.
O presidente brasileiro afirmou ainda que o acordo ultrapassa a esfera econômica, promovendo colaboração em temas como democracia, direitos humanos e meio ambiente. Ele pontuou que União Europeia e Mercosul compartilham valores de respeito à democracia, Estado de Direito e direitos humanos, e que o diálogo político e a cooperação garantirão padrões elevados para direitos trabalhistas e proteção ambiental.
Von der Leyen também celebrou a concretização do acordo como uma conquista de uma geração inteira e agradeceu a Lula pelo papel fundamental nas negociações. Ela afirmou que negociadores e líderes trabalharam durante mais de duas décadas para concluir o pacto que levou 25 anos para ser finalizado, e elogiou a liderança e dedicação recentes do presidente brasileiro na conclusão do acordo.
A reunião ocorreu na véspera da assinatura do pacto entre o bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai (e Bolívia recentemente) e os 27 membros da União Europeia, em Assunção, capital paraguaia. O Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do Mercado Comum do Sul em 2025, ano em que o Brasil assume a presidência, sediará a cerimônia. Lula não participará da assinatura, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A Comissão Europeia negocia o amplo acordo com o Mercosul desde 1999, que deve estabelecer a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores, eliminando tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.
Países como Alemanha e Espanha consideram o acordo uma parte crucial dos esforços europeus para abrir novos mercados, compensar perdas comerciais devido a tarifas dos Estados Unidos e reduzir dependência da China, garantindo acesso a minerais essenciais. Já a França lidera a oposição, preocupada com impactos negativos na agricultura local.
O Chipre, exercendo a presidência rotativa da União Europeia, adotou uma manobra legal para iniciar a aplicação provisória do acordo antes da análise pelo Parlamento Europeu, o que gerou controvérsia. A aplicação provisória ainda necessita da aprovação de pelo menos um país do Mercosul.
Contudo, para a entrada plena em vigor do acordo, é necessária a aprovação do Parlamento Europeu, processo que pode levar meses. Cerca de 150 eurodeputados, de um total de 720, ameaçam recorrer à Justiça para impedir sua aplicação, tornando a votação imprevisível.
A França já declarou intenção de lutar contra a aprovação no Parlamento, e grupos ambientalistas europeus, como a organização Amigos da Terra, criticam o acordo por seu potencial impacto negativo no clima.
Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, demonstrou confiança na aprovação do acordo, prevendo uma votação final para abril ou maio.
Créditos: Veja Abril