Política
09:07

Advogada reclama de remanejamentos na cela após chegada de Bolsonaro à Papudinha

A defesa da advogada Jéssica Castro de Carvalho, 30 anos, informou que ela reclamou das constantes mudanças na Papudinha para acomodar a chegada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Jéssica estava detida na cela que Bolsonaro passou a ocupar.

De acordo com seu advogado, Alexandre de Melo Carvalho, Jéssica relatou que esses remanejamentos eram frequentes devido à chegada de autoridades públicas. Antes da chegada de Bolsonaro, ela já havia sido transferida de cela outras vezes.

Jéssica dividia a cela com uma colega advogada, mas atualmente o espaço é utilizado exclusivamente por Bolsonaro.

O advogado também explicou que as mudanças constantes abalam psicologicamente Jéssica, pois ela precisa retirar seus pertences sempre que é transferida.

Ele relatou que em novembro, após sua prisão, Jéssica teve uma convulsão dentro da Papudinha. Segundo o advogado, o local não conta com uma equipe de saúde permanente, e foi ele quem socorreu a advogada e acionou o Samu para os primeiros atendimentos.

Fontes da Papudinha afirmam que a unidade não dispõe de assistência médica regular. A determinação do ministro Alexandre de Moraes para garantir atendimento a Bolsonaro pode fazer com que outros presos também sejam assistidos pela mesma equipe, caso necessário.

A nova cela onde Jéssica e sua colega estão agora fica próxima a outros detentos conhecidos, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.

O espaço é menor, e Jéssica reclamou que sua colega conversa em tom alto. O advogado acrescentou que Jéssica participa de cultos na unidade e não exerce atividades laborais. Ele mencionou que a advogada possui patologias psicológicas e psiquiátricas, para as quais realiza tratamento.

Jéssica e sua colega eram mantidas em sala de Estado-Maior devido ao registro ativo e regular na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O advogado ressaltou que essa prerrogativa persiste enquanto o registro não for suspenso ou cassado.

Tanto Jéssica quanto Bolsonaro devem seguir regras semelhantes na Papudinha, com a diferença de que homens e mulheres não compartilham os mesmos espaços. Os presos têm direito a visita familiar uma vez por semana e visitas íntimas, mediante cadastro prévio do parceiro com quem mantêm união estável.

Todos os presos têm direito a uma hora diária de banho de sol e podem trabalhar cultivando uma horta. Presos preventivos e condenados na unidade podem receber alimentação complementar enviada por familiares, sem diferenciação para presos comuns.

Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro está em cela individual, o que pode alterar a rotina dos demais custodiados no local. A Polícia Militar do Distrito Federal afirmou que a gestão da Papudinha segue critérios rigorosos e decisões judiciais.

Bolsonaro está sozinho em uma cela de 64,8 metros quadrados na Papudinha, que inclui banheiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. A cela tem espaço para ao menos quatro pessoas.

Antes, na Superintendência da Polícia Federal, sua cela tinha 12 metros quadrados com quarto e banheiro, além de comodidades como ar condicionado, armários, escrivaninha, frigobar, cama de solteiro e TV.

Jéssica atua como advogada criminalista no Distrito Federal, atendendo pessoas condenadas ou respondendo a processos criminais. Ela foi presa preventivamente em novembro após atender um procurado, seu primo Weslley Raphael Godeiro Vasconcelos da Silva, de 33 anos, apontado como integrante da facção criminosa Comboio do Cão (CDC).

Segundo o advogado, Jéssica estava no carro do primo no momento em que a polícia realizou abordagem e encontrou drogas e armas. O caseiro do sítio do primo já foi preso, e buscas continuam.

Em redes sociais, Jéssica afirma ter mais de sete especializações e já foi presidente da Comissão de Ciências Criminais da OAB-DF, além de se apresentar como especialista em lei de drogas.

Ela é evangélica e recebeu em agosto do ano anterior uma Moção de Louvor na Câmara Legislativa do Distrito Federal, entregue pelo deputado pastor Daniel de Castro (PP-DF).

A Papudinha é considerada uma área mais reservada dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, sob comando da Polícia Militar, com número limitado de presos, geralmente policiais militares condenados.

Bolsonaro permanece sozinho na cela com 54,7 metros quadrados cobertos e 10 metros quadrados de área externa, recebendo cinco refeições diárias conforme determinação do STF.

Créditos: UOL

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