Política
09:06

Análise prevê caos maior que no Iraque e Afeganistão em ação militar dos EUA no Irã

O Irã enfrenta sua maior crise desde a Revolução de 1979, que instaurou um regime teocrático rígido, cercado por inimigos regionais. Atualmente, o país vive uma crise econômica e política marcada pela repressão governamental a protestos em várias cidades, no contexto do enfraquecimento de sua influência no Oriente Médio, após a queda de aliados como Bashar al-Assad na Síria e o enfraquecimento do Hezbollah no Líbano, além do rearranjo político no Iêmen.

Apesar das manifestações recentes, a queda do regime é improvável, pois os movimentos de oposição são fragmentados e restritos a setores da elite e classe média alta, sem apoio das bases sociais mais amplas. A coesão entre os principais pilares do regime — a Guarda Revolucionária, o aparato de segurança e o clero — mantém a estrutura de poder intacta. A repressão tem aumentado diante da percepção dos protestos como ameaça existencial.

O regime iraniano baseia-se em uma ideologia sociorreligiosa e em fortes lealdades políticas mútuas, com quatro polos que divergem em alguns aspectos, mas compartilham uma visão nacionalista similar, considerando o Ocidente uma ameaça e Israel um inimigo a ser combatido.

A administração Trump demonstra disposição para usar a força militar de forma decisiva e rápida, mas o Irã representa um desafio distinto: uma campanha militar limitada dificilmente traria resultados estratégicos significativos e os riscos de escalada regional são elevados, podendo causar impactos globais como aumentos nos preços do petróleo e instabilidade econômica.

Washington enfrenta duas opções difíceis: uma campanha longa e custosa, sem apoio político forte, ou uma operação militar rápida que sinalize força, mas pouco altere a realidade do regime. Os ataques recentes dos EUA e Israel em junho de 2025 reduziram capacidades militares do Irã, mas não eliminaram seu arsenal de dissuasão.

Caso os EUA ataquem, isso pode desgastar o regime internamente e inflamar a opinião pública contra o governo iraniano, potencializando a oposição. No entanto, se a oposição não evoluir, o ataque pode destruir infraestruturas essenciais e provocar retaliação militar iraniana contra bases americanas, infraestrutura energética do Golfo e o controle do estreito de Hormuz, desencadeando um conflito regional de desfecho imprevisível e efeitos globais negativos.

Apesar das tensões internas, o sistema político iraniano mantém alinhamento com o líder supremo Ali Khamenei. A oposição está fragmentada, sem liderança unificada, e figuras como Reza Pahlavi carecem de legitimidade interna.

Mesmo o colapso súbito do regime levantaria dúvidas sobre o futuro do país, o controle do arsenal militar e nuclear, e as consequências para o Oriente Médio. Diferente de conflitos anteriores, os EUA hoje agem sem um objetivo político claro, e uma mudança de regime necessitaria de uma campanha ampla e prolongada, sem apoio vigente da oposição.

No cenário de invasão militar, o risco é um caos incontrolável, superando os fracassos americanos anteriores no Vietnã, Iraque e Afeganistão juntos, podendo resultar numa guerra regional difícil de controlar e afetar a posição hegemônica global dos EUA, contrária aos interesses estratégicos americanos.

Créditos: Folha de S.Paulo

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