Israel critica conselho de Gaza anunciado por Trump sem coordenação
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou neste sábado (17) que o anúncio feito pelo governo de Donald Trump acerca da composição de um conselho executivo para a Faixa de Gaza foi feito sem diálogo com Israel. O comunicado oficial reforça que essa iniciativa contraria a política do governo israelense.
Israel informou que o ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, irá tratar o assunto diretamente com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No entanto, o pronunciamento não detalhou quais aspectos do conselho entram em conflito com a política israelense.
Os Estados Unidos enviaram uma minuta de carta a cerca de 60 países, estabelecendo regras sobre o mandato e a contribuição financeira dos membros do conselho. Conforme o documento, o presidente americano presidirá o órgão.
“Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, podendo ser renovado pelo presidente”, diz o texto. Porém, para aqueles que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em recursos no primeiro ano, essa regra de três anos não se aplica.
No sábado, a agência Bloomberg publicou que a exigência para participar do conselho seria uma contribuição de US$ 1 bilhão. A Casa Branca negou e esclareceu que esse valor garante uma permanência estendida, mas que a participação por três anos não tem custo.
A Casa Branca explicou ainda que a filiação permanente será oferecida a países parceiros comprometidos com a paz, segurança e prosperidade, conforme publicação no X.
A formalização do conselho de Gaza foi apresentada na sexta-feira (16) pela Casa Branca. Trump definiu o órgão como o elemento central da segunda fase do plano americano para encerrar a guerra na Faixa de Gaza e ressaltou que seria o maior e mais prestigiado conselho já formado.
O conselho terá autoridade sobre o Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, que será responsável pela reconstrução do território após dois anos de conflito.
Segundo a Casa Branca, o conselho tratará de questões como fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital.
Também na sexta-feira, Trump nomeou o major-general Jasper Jeffers para comando da Força Internacional de Estabilização (ISF) em Gaza, que terá o papel de manter segurança no território e treinar uma nova força policial para substituir o Hamas.
Donald Trump convidou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para integrar o conselho de Gaza. Até o momento, Lula não respondeu ao convite. Em setembro passado, Lula definiu a ação militar de Israel e EUA em Gaza como “genocídio”.
A lista de convidados inclui empresário americano Marc Rowan, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional Robert Gabriel, além de Marco Rubio, enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Também faz parte do conselho Sigrid Kaag, coordenadora especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio.
Entre os membros estão o egípcio Abdel Fatah Al-Sisi, o primeiro-ministro canadense Mark Carney, um bilionário cipriota-israelense e um ministro dos Emirados Árabes Unidos, país que firmou relação diplomática com Israel em 2020.
No grupo de chefes de Estado convidados estão o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que também terá seu ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, no conselho. Israel demonstra constante oposição ao envolvimento turco em Gaza.
Créditos: Gazeta do Povo