Economia
09:04

UE prepara ‘bazuca comercial’ contra tarifas de Trump sobre Groenlândia

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que “A Europa não será chantageada” após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifas adicionais a oito países europeus contrários ao plano americano de anexar a Groenlândia.

Trump declarou, na rede social Truth Social no sábado (17), que produtos importados da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia terão uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro. Essa taxa subiria para 25% em 1º de junho e se manteria até que as autoridades dinamarquesas concordem em vender a ilha ártica.

O anúncio ocorreu poucos dias depois dos países afetados enviarem uma missão militar à Groenlândia para reforçar sua segurança. Enquanto iniciam contatos diplomáticos com os EUA e demonstram “disposição para dialogar com base nos princípios da soberania e da integridade territorial”, alguns países se preparam para um confronto sem precedentes com Washington.

O presidente francês Emmanuel Macron pediu a outros líderes da União Europeia (UE) a ativação do Instrumento contra a Coerção Econômica (ACI), conhecido como “bazuca comercial”, em resposta à ameaça considerada “inaceitável” de Trump.

O ACI, aprovado pela UE em 2023, é uma ferramenta para resolver disputas comerciais, permitindo medidas retaliatórias como a imposição de tarifas mais altas, licenças de importação ou exportação e restrições ao comércio de serviços, investimentos e participações em contratos públicos.

Se ativado, a UE poderá aplicar tarifas adicionais sobre produtos dos EUA e impedir que empresas americanas adquiram ações em empresas dos Estados-Membros, recebam financiamento público ou privado, e participem de licitações governamentais. A UE também pode exigir reparação financeira do país que exercer coerção contra ela.

O instrumento foi criado para desencorajar pressões que afetem o comércio ou o investimento dentro da UE, respondendo rapidamente a essas influências.

O ACI surgiu após o primeiro mandato de Trump, em meio a reveses nas relações comerciais transatlânticas, e após um episódio em 2021, quando a China impôs restrições comerciais à Lituânia devido a relações desta última com Taiwan.

Naquele ano, empresas lituanas enfrentaram dificuldades para negociar com a China, o que evidenciou que coerção comercial não está coberta pelos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em 2025, com a guerra tarifária de Trump contra a UE, o instrumento foi considerado, mas a abordagem inicial foi dialogar em vez de aplicar retaliações.

Macron deixou claro seu descontentamento com o anúncio de Trump: “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo”.

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, reiterou que o ACI “está sobre a mesa”, mas defende esgotar o diálogo antes. Outros líderes europeus também priorizam a diplomacia para evitar uma guerra comercial desscontrolada, como o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoke.

O comércio entre a UE e os EUA ultrapassou US$ 1,8 trilhão em 2023, com bens e serviços no valor de US$ 5 bilhões atravessando o Atlântico diariamente. A UE teve superávit de US$ 170 bilhões em bens, enquanto os EUA lideraram em serviços com US$ 120 bilhões.

Em julho de 2025, Washington e Bruxelas fecharam um acordo que reduziu as tarifas de 25% para 15% em troca de compromissos de investimento da UE nos setores industrial e de defesa norte-americanos. Discussões sobre o congelamento deste acordo também estão em curso.

No domingo, em reunião emergencial dos embaixadores dos 27 países da UE, foi analisada a situação para definir os próximos passos diante das ameaças tarifárias de Trump.

A resposta coordenada da União Europeia evidencia a firme postura frente às ações americanas contra a Groenlândia e demonstra a disposição para utilizar o ACI como forma de reação comercial.

Créditos: G1 Globo

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