Enamed aponta 107 cursos de Medicina com desempenho insatisfatório em 2026
Dos 351 cursos de Medicina avaliados pelo Enamed, 107 apresentaram desempenho abaixo do esperado, com menos de 60% dos estudantes considerados proficientes.
Os cursos foram classificados em uma escala de 1 a 5, onde 24 cursos receberam a nota 1, a menor, e 83 receberam nota 2. Ao todo, 99 desses cursos poderão ser alvo de processos administrativos e sofrer sanções que vão desde restrição de vagas até suspensão do vestibular.
Embora 107 instituições tenham tido notas baixas, apenas 99 estarão sob risco de penalidades, pois as estaduais e municipais não são geridas diretamente pelo Ministério da Educação (MEC).
A maioria dos cursos pior avaliados é de instituições municipais (87% com notas 1 e 2) e privadas com fins lucrativos (61%).
Em abril do ano anterior, os Ministérios da Saúde e da Educação anunciaram mudanças nos processos de avaliação e seleção para residências médicas, com o Enamed passando a ser anual e específico para Medicina e licenciaturas, diferentemente do modelo trienal utilizado para outras graduações.
O MEC reforçou que cursos com conceito 1 ou 2 poderão sofrer penalidades e, se não melhorarem após repetidas avaliações, poderão ser fechados.
Dados do Enade 2023 apontaram piora nos resultados dos cursos de Medicina em relação a 2019, com 20% dos cursos não atingindo níveis satisfatórios, frente a 13% na avaliação anterior.
Especialistas já indicavam que o aumento expressivo no número de cursos, que passou de 181 em 2010 para 401 em 2023, não foi acompanhado de estrutura adequada, professores capacitados e estágios de qualidade.
Com o intuito de intensificar a fiscalização, o Inep iniciará em 2026 visitas presenciais às faculdades que oferecem Medicina.
Na edição do Enamed mais recente, 89.024 alunos e profissionais foram avaliados. A prova também pode ser usada como critério no Exame Nacional de Residência (Enare), estimulando a participação.
O MEC e o Ministério da Saúde planejam enviar ao Congresso uma Medida Provisória para incluir as notas individuais dos estudantes nos diplomas e regulamentar as instituições municipais, atualmente não sujeitas à regulação federal, especialmente por apresentarem os piores resultados.
As instituições estaduais não preocupam tanto o MEC, pois 98% de seus cursos tiveram desempenho satisfatório.
Créditos: O Globo