Economia
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Ex-assessor de Trump diz que ameaças à Groenlândia podem ser tática de negociação

Gary Cohn, ex-assessor econômico do presidente americano Donald Trump, afirmou que o chefe da Casa Branca não conseguirá forçar a Groenlândia a mudar de soberania.

Em entrevista à BBC, Cohn, que foi diretor do Conselho Econômico Nacional durante o primeiro mandato de Trump, sugeriu que as ameaças recentes do presidente podem fazer parte de uma estratégia negocional, com foco no acesso a minerais importantes do território.

“Acabei de sair de uma reunião com uma delegação do Congresso dos EUA e há um consenso bastante uniforme entre republicanos e democratas de que a Groenlândia continuará sendo a Groenlândia”, declarou.

Gary Cohn é atualmente vice-presidente da IBM e um dos principais executivos de tecnologia dos Estados Unidos, liderando iniciativas em inteligência artificial e computação quântica.

Ele ressaltou que invadir um país independente que pertence à Otan seria ultrapassar limites, e destacou que a Groenlândia ficaria satisfeita caso os EUA aumentassem sua presença militar na ilha, considerando que o Atlântico Norte e o Oceano Ártico têm se tornado áreas com crescente ameaça militar.

Cohn sugeriu que os EUA poderiam negociar um acordo de compra futura dos vastos, porém ainda pouco explorados, recursos minerais de terras raras da Groenlândia.

Ele reforçou que invadir um país aliado pela Otan que não deseja ser invadido está além do aceitável no momento.

Segundo ele, Trump pode estar exagerando as suas exigências como parte de uma tática que já usou com sucesso anteriormente, indo além dos limites para obter o que deseja em situações de compromisso.

Positando que o verdadeiro objetivo do presidente possa ser uma presença militar mais robusta na Groenlândia e um acordo para aquisição desses minerais.

O Fórum Econômico Mundial de 2020, ocorrido em Davos, Suíça, foi marcado pela postura cada vez mais agressiva de Trump em relação ao território ártico, preocupando líderes políticos e empresários devido ao impacto geopolítico e econômico da situação. Trump discursou para os delegados no dia 21 de janeiro.

Apesar das reservas de Cohn quanto a algumas ações, ele afirmou que o governo dos EUA tem múltiplos motivos para suas iniciativas, incluindo a decisão de intervir na Venezuela para afetar suas relações com a China, Rússia e Cuba.

Ele também destacou o crescente foco do presidente nos minerais de terras raras, ressaltando a importância desses recursos para o desenvolvimento de inteligência artificial e computação quântica, temas centrais em Davos.

Sobre as alegações de que Trump teria feito ameaças à Groenlândia por não ter recebido o Nobel da Paz, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, disse não ter conhecimento sobre tal carta e negou que o presidente agiria por esse motivo.

Bessent enfatizou que os EUA veem a Groenlândia como um ativo estratégico e não terceirizarão sua segurança hemisférica.

Cohn ressaltou a importância dos avanços em computação quântica e IA para a economia, produtividade e influência estratégica dos EUA no mundo.

Ele contou que a IBM está na vanguarda da computação quântica atualmente, com muitos computadores operacionais instalados em diferentes setores como bancos e medicina.

Segundo ele, a IA será fundamental para alimentar a computação quântica e resolver problemas antes não solucionáveis, tornando-se parte das operações empresariais e aumentando a eficiência.

Essa transformação tecnológica ainda está no início, com perspectivas de levar três a cinco anos para se consolidar.

No início do mês, o Google afirmou possuir o computador quântico mais potente do mundo, reforçando a corrida tecnológica que foi um dos destaques do Fórum Econômico Mundial, ao lado das discussões sobre a Groenlândia.

Créditos: Terra

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