Economia
09:07

UE defende soberania da Groenlândia e critica tarifas dos EUA no Fórum Econômico

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (20), durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável”. Ela alertou que possíveis tarifas ou pressões entre os Estados Unidos e a União Europeia seriam um erro estratégico e defendeu uma resposta europeia “unida, proporcional e firme” diante das disputas na região do Ártico.

O pronunciamento ocorre em um contexto de aumento das tensões geopolíticas na região. No último sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que aplicaria uma tarifa de 10% sobre oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a Groenlândia, um território pertencente à Dinamarca no Ártico.

Von der Leyen ressaltou que a estabilidade no extremo norte depende da cooperação entre aliados históricos, e não de medidas unilaterais. Sem citar diretamente o governo americano, ela criticou a possibilidade de imposição de tarifas adicionais entre aliados.

A presidente destacou que a União Europeia e os Estados Unidos firmaram um acordo comercial em julho do ano anterior e alertou que uma escalada nas disputas comerciais beneficiaria adversários estratégicos comuns. Ela afirmou: “Entrar em uma espiral descendente apenas ajudaria aqueles que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico”.

No domingo (18), líderes da União Europeia se reuniram para discutir uma resposta conjunta ao aumento das tensões diplomáticas e militares no Ártico com os Estados Unidos. O encontro, convocado de forma emergencial, reuniu representantes dos 27 países do bloco em Bruxelas, sob a presidência rotativa da UE exercida pelo Chipre.

Donald Trump afirmou que a Groenlândia é estratégica para a segurança dos EUA, devido à sua localização e às reservas minerais, e não descartou o uso da força, o que gerou preocupação entre aliados europeus.

Em resposta, países europeus anunciaram reforço na segurança da região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, atendendo a um pedido do governo dinamarquês.

Durante seu discurso, Ursula von der Leyen também salientou o acordo comercial assinado entre a União Europeia e o Mercosul, no último sábado (17), no Paraguai, que encerra mais de 25 anos de negociações. Ela qualificou o tratado como uma virada estratégica na política comercial europeia, em meio a um cenário global com tensões e disputas tarifárias.

De acordo com a presidente, o acordo cria “a maior zona de livre comércio do mundo”, que reúne 31 países, mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global. Von der Leyen afirmou que o tratado envia uma mensagem política clara ao mercado internacional ao reforçar a diversificação de cadeias produtivas e reduzir dependências externas. “Estamos falando sério sobre reduzir riscos nas nossas economias e diversificar nossas cadeias de suprimentos”, disse.

Ela também enfatizou que o acordo está alinhado aos compromissos climáticos do bloco e ao Acordo de Paris, defendendo que crescimento econômico e sustentabilidade devem caminhar juntos.

Para von der Leyen, o Mercosul desempenha papel central na estratégia europeia de aproximação com os polos de crescimento do século XXI.

A presidenta da Comissão Europeia discursa durante a 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

Créditos: G1 Globo

Modo Noturno