Segundo mandato de Trump completa 1 ano com ações que impactaram EUA e o mundo
Donald Trump completa nesta terça-feira (20) um ano desde seu retorno à Casa Branca. Seu segundo mandato ficou marcado por decisões e conflitos que abalaram os Estados Unidos e o cenário global.
O republicano tem se mostrado sem freios e imprevisível, agindo como “presidente do mundo” diante de adversários e aliados.
Durante esses doze meses, Trump aplicou uma política tarifária global agressiva, autorizou ataques militares e chegou a ameaçar países parceiros.
No plano interno, adotou uma ofensiva inédita contra imigrantes, concedeu perdão a invasores do Capitólio e perseguiu instituições, universidades e a imprensa.
Antes mesmo de reassumir o cargo, Trump prometeu expulsar todos os imigrantes em situação irregular nos EUA, promessa não cumprida. Porém, aumentou para mais de 20 mil o número de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que passaram a caçar e prender imigrantes, incluindo alguns com processo de regularização em curso. O resultado foram 605 mil deportações até dezembro e 1,9 milhão de autoexpulsões voluntárias. Essas ações geraram revolta, especialmente após a morte de uma cidadã americana baleada por um agente de imigração em Minnesota, fato que desencadeou protestos e batalhas judiciais.
No primeiro dia do mandato, Trump perdoou cerca de 1.500 acusados pelo ataque ao Capitólio, ato visto por analistas como um desprezo ao sistema judiciário dos EUA. O ataque, ocorrido em 6 de janeiro de 2021, envolveu apoiadores de Trump que invadiram o Congresso para impedir a ratificação da eleição presidencial de 2020, resultando em quatro mortes.
Em abril, Trump anunciou aumentos súbitos de tarifas de importação sobre produtos de 185 países, com algumas chegando a 50%, para proteger o setor produtivo americano. Economistas contestaram os benefícios dessa medida. Inicialmente, o Brasil teve tarifas em 10%, mas depois recebeu um aumento adicional de 40%, sob acusações de perseguição de autoridades brasileiras contra o governo de Bolsonaro.
A situação foi amenizada após uma reaproximação dos governos brasileiro e americano, culminando em uma reunião entre Trump e Lula no final de outubro. Em novembro, a Casa Branca decidiu retirar progressivamente as tarifas sobre a maior parte das exportações brasileiras, incluindo carne, café e aço.
Ainda em 2025, Trump atacou grandes universidades como Harvard e Columbia, alegando desde protestos contra Israel até questões de admissão de alunos estrangeiros para justificar cortes e investigações.
A imprensa também esteve na mira do presidente, que processou veículos pedindo até R$ 79 bilhões em indenizações por reportagens críticas, incluindo aquelas sobre seu contato com Jeffrey Epstein. Trump ameaçou punir advogados envolvidos em casos jurídicos que julgava infundados contra sua administração.
O relacionamento com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi intenso, com cinco encontros em 2025, refletindo o apoio dos EUA a Israel. Trump propôs a criação de uma “Riviera do Oriente Médio” em Gaza e atuou como mediador no cessar-fogo no conflito com o Irã, que resultou em quase 1.000 mortos após 12 dias de confrontos.
No início de 2026, a tensão com o Irã aumentou devido à repressão aos protestos, levando Trump a ameaçar ações militares.
A relação com Vladimir Putin oscilou entre elogios e críticas, incluindo a caracterização do líder russo como “louco” pela guerra na Ucrânia. Eles se reuniram no Alasca para discutir a paz. Trump acusou Zelensky de dificultar um cessar-fogo e os dois tiveram um confronto público na Casa Branca.
Entre setembro e dezembro de 2025, militares americanos bombardearam embarcações no Mar do Caribe e Oceano Pacífico, por suspeitas de tráfico de drogas, resultando em mais de 100 mortos. A ONU condenou tais ações como “execuções extrajudiciais”.
Em agosto de 2025, Trump ordenou uma ofensiva para cercar a Venezuela, culminando meses depois na captura do presidente Nicolás Maduro. Além disso, manifestou interesse na Groenlândia, território da Dinamarca, considerando-a estratégica para a segurança nacional e utilizando a possibilidade de tarifaço como pressão para sua venda, não descartando uso da força militar.
Esses episódios abalaram a confiança internacional nos EUA, provocando reações de países da América Latina e líderes europeus, agora inseguros com seu maior aliado transatlântico.
Na saúde, a nomeação de Robert Kennedy Jr. como secretário foi polêmica, assim como a retirada de seis vacinas do calendário infantil, gerando alertas médicos.
Também foi fechada a USAID, órgão responsável pela ajuda humanitária americana mundial, em uma ação de cortes promovida pelo departamento DOGE, comandado por Elon Musk.
Durante a campanha de 2024, Trump denunciou uma conspiração para encobrir o escândalo de Jeffrey Epstein. Durante seu governo, documentos comprovaram seu contato com o bilionário, que afirmou que “Trump sabia das garotas”. A pressão levou o Congresso a aprovar uma lei para divulgação total dos arquivos até dezembro, embora menos de 1% tenha sido tornado público até agora.
Esta trajetória define os principais pontos do primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump, marcado por políticas controversas e impactos globais.
Créditos: g1