Economia
21:09

Parlamento Europeu deve congelar acordo comercial com EUA em retaliação

O Parlamento Europeu planeja suspender o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado. A formalização dessa suspensão está prevista para ocorrer na quarta-feira (21).

A decisão é uma resposta às recentes ameaças feitas pelo presidente americano, Donald Trump, relacionadas à intenção dos EUA de anexar a Groenlândia, que é um território autônomo vinculado à Dinamarca.

Trump anunciou nesta semana que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus caso eles se oponham à compra da ilha pelos EUA.

Pelo tratado firmado em julho anterior, os Estados Unidos impuseram tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em reduzir várias de suas taxas sobre importações americanas.

Com a suspensão do acordo, a União Europeia está considerando retaliações, incluindo a imposição de tarifas que poderiam atingir até 93 bilhões de euros (aproximadamente R$ 580 bilhões) e possíveis restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu.

Líderes parlamentares europeus confirmaram que existe um consenso para a medida, como declarou Iratxe García Pérez, presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu.

O acordo, embora firmado no ano passado, só estaria em vigor entre março e abril após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco.

Na mesma terça-feira, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, classificou as ações americanas como “chantagem” e denunciou o uso de ameaças tarifárias para forçar concessões injustificadas. Ele declarou apoio à suspensão e afirmou que a Comissão Europeia possui ferramentas poderosas para reagir.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também afirmou durante o Fórum Econômico Mundial em Davos que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que tarifas ou pressões mútuas entre EUA e UE seriam um erro estratégico.

Nas últimas semanas, Trump intensificou suas iniciativas para anexar a Groenlândia, estratégica por sua rota marítima e recursos naturais, além de ser considerada essencial para a construção do “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis que ele deseja implementar nos EUA.

Em reação às declarações americanas, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região ártica, incluindo o envio de pequenas tropas para a Groenlândia, a pedido da Dinamarca. Um comunicado conjunto de Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda reafirmou o compromisso com a defesa da Groenlândia e a segurança do Ártico pela Otan.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.

Além disso, a crise provocou protestos massivos, com milhares de pessoas saindo às ruas da Groenlândia e de Copenhague para contestar a intenção americana de anexação do território.

Créditos: g1

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