Netanyahu aceita convite de Trump para integrar Conselho da Paz
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o “Conselho da Paz”.
Essa estrutura foi criada por Trump com o objetivo de manter a paz e reconstruir a Faixa de Gaza, podendo também atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
Trump enviou convites para lideranças de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, mas a iniciativa tem gerado receios na comunidade internacional sobre um possível enfraquecimento do papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
O envio das cartas provocou preocupação especialmente entre autoridades europeias, que temem que o Conselho possa diminuir a influência da ONU como um todo.
Um alto funcionário da ONU evitou comentar o plano, mas ressaltou que a organização é a única entidade com capacidade moral e legal para reunir todas as nações, independentemente do seu porte.
“Se questionarmos isso, retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”, declarou Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, à Sky News.
Trump frequentemente critica instituições multilaterais, em especial a ONU, questionando sua eficácia, custos e responsabilidade, e alega que muitas vezes não atendem aos interesses dos Estados Unidos.
Segundo Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump apresenta várias falhas e concentra poder excessivo em uma única liderança, a do próprio presidente norte-americano.
Stuenkel destaca que a exigência de uma contribuição de US$ 1 bilhão por país interessado em um assento permanente, com administração desses recursos por Trump, levanta dúvidas sobre transparência e controle das decisões estratégicas.
“O arranjo reflete uma abordagem personalista e unilateral, concentrando poder na figura de Trump, que teria poder decisório e de veto sobre o órgão”, afirmou. “Existe o receio de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”
Além disso, o professor apontou possíveis conflitos de interesse, já que Trump nomeou seu genro Jared Kushner e o conselheiro Steve Witkoff para integrar a estrutura, ambos com interesses empresariais na região de Gaza.
Créditos: g1